Extrator de amêndoas de
frutas de casca dura
Extrator de amêndoas de
frutas de casca dura
Extrator de amêndoas de
frutas de casca dura

       




O pedido de patente PI0202641 de titularidade da Embrapa refere-se a "EXTRATOR DE AMÊNDOAS DE FRUTOS DE CASCA DURA". Trata-se a presente invenção de um aparelho para extração de amêndoas do interior de frutos de casca dura com simetria em relação a um eixo de rotação, constituído por: um elemento cooperante, tracionado por mecanismo que imprime movimento de rotação ao mesmo através de meios de acionamento, possuindo extremidade de formato apropriado para envolver e prender o fruto; um elemento de escarificação, perpendicular ao eixo de simetria do fruto preso na extremidade e, opcionalmente, um elemento cooperante de giro livre com ponta em forma pontiaguda para envolver e prender o fruto e opcionalmente ser deslocado ao longo do eixo de rotação do fruto. Permite a extração de amêndoas intactas de dentro do fruto, por escarificação da casca externa, de forma rápida e segura para o operador, para uso em campo ou agroindústrias de beneficiamento, viabilizando o comércio deste segmento produtivo e das culturas ainda baseadas no extrativismo.

A árvore da castanha-de-cotia (Couepia edulis (Prance) Prance) tem porte mediano, atingindo até 25 m de altura por 50 cm de Diâmetro à Altura do Peito, tronco raramente reto, com pequenas sapopemas basais; a casca é parda e áspera; a copa é aberta com 12 a 15 m de diâmetro. As folhas são alternadas e simples; a lâmina ovalado-elíptica, de 7 a 17 cm de comprimento e 4 a 12 cm de largura, o ápice arredondado e acumiado. A inflorescência é uma panícula curta e muito ramificada, com 5 a 10 cm de comprimento, com umas vinte pequenas flores assimétricas e bissexuais. O fruto é uma drupa, ovóide alongada, de cor parda escura, formada de uma casca espessa, lisa, dura (que protege a amêndoa contra agentes da destruição e oxidação), mas esponjosa, que encerra uma castanha com testa escura quase preta, envolvendo a amêndoa de cor branca. O peso médio de uma fruta é, aproximadamente, 82g e o peso médio de uma amêndoa é 15,5g (19% do fruto). As dimensões médias do fruto são 9 a 10 cm de comprimento por 5,5 a 6cm de diâmetro

. Floresce e frutifica entre fevereiro e março, e os frutos novos necessitam de um ano para amadurecer. Nos arredores de Manaus, essa espécie floresce entre fevereiro e novembro, e frutifica entre fevereiro e agosto. As amêndoas dessa espécie são consumidas in natura, assadas, misturadas ou preparadas com farinha de mandioca. Tem sabor similar ao da castanha-do-pará, ainda que a textura seja um pouco mais branda. A composição da amêndoa é: óleo (74,06%), água (3,61%), proteína (16,58%) e azoto (2,67%). O óleo extraído das amêndoas é claro, inodoro, utilizado para cozinhar. Pelo índice de iodo, o óleo de castanha-de-cotia é classificado como secativo. Os óleos secativos são usados largamente na indústria de tintas, vernizes, lacas, linóleos substitutos de couro impermeáveis, e em todos os ramos de impressão e indústrias semelhantes. Os frutos maduros caem no solo e devem ser coletados imediatamente, pois são muito apreciados por roedores. Os frutos podem ser armazenados por um curto período de tempo em um lugar seco e ventilado.

A castanha-de-cotia cresce bem em sistema de monocultura e, até o momento, não se tem notícias de pragas e doenças. Em solos férteis, uma árvore adulta chega a produzir mais de 2400 frutos, equivalente a 200 Kg (FAO, 1987), com 38 Kg de amêndoas ou 28 Kg de óleo. Em um plantio com 100 árvores/ha, pode produzir o equivalente a 20t/ha/ano de furtos (3,8t de amêndoas ou 2,8t de óleo), sendo importante destacar que um bom ano de produção é geralmente seguido por um pobre, já que a árvore utiliza a maioria de suas reservas acumuladas e leva mais de um ano para recuperá-las. Atualmente a extração da amêndoa de dentro do fruto é feita pela associação de impacto e corte utilizando-se uma marreta e um terçado, em uma atividade basicamente extrativista. Apesar do alto potencial de comercialização desta espécie nativa da Amazônia, sua inserão no mercado é insignificante e uma das razões é a falta de tecnologia de beneficiamento. A casca do fruto da Castanha-de-Cotia apresenta comportamento viscoelástico, não significativamente influenciado pela imersão em água por 24h nem por aquecimento a 105°C durante 8h. Após os dois tratamentos casca se mostrou hidrofóbica. Adicionalmente à viscoelasticidade da casca, a pequena irregularidade da superfície do fruto (menores que 1,3mm) indica que a técnica de escarificação é uma forte candidata para esta fase do beneficiamento. As medidas mostraram que frutos maiores tendem a ter castanhas proporcionalmente 21% maiores, que ocupam (35±5) da seção transversal. Por outro lado frutos maiores tendem a ter superfícies mais irregulares e os menores uma alta dispersão na esfericidade.

Segundo Ladislau Martin Neto, chefe da Embrapa Instrumentação Agropecuária, a estatal tem feito grande esforço para colocar no mercado uma série de equipamentos desenvolvidos desde a década de 1990. "A Embrapa quer estimular a criação de empresas de base tecnológica e tirar sua tecnologia das prateleiras dos laboratórios de pesquisa". Segundo ele, a estatal tem 60 pedidos de patente para equipamentos de instrumentação agropecuária. Do total, 13 estão sendo colocados no mercado neste ano via projetos de transferência de tecnologia com empresas privadas. Até agora, oito equipamentos - entre eles o sistema de língua eletrônica para análise de bebidas, o extrator de amêndoas de frutas da Amazônia e um detector precoce de morte súbita dos citros - já encontraram parceiros comerciais.

Fonte:
http://www.ufpel.tche.br/sbfruti/anais_xvii_cbf/tecnologia_de_alimentos/694.htm
http://www.agrolink.com.br/noticias/pg_detalhe_noticia.asp?cod=29296
acesso em outubro de 2005
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