Diagnóstico de anemia equina Diagnóstico de anemia equina Diagnóstico de anemia equina

       




Um novo teste para detectar a anemia infecciosa eqüina, doença grave e incurável que atinge cavalos, jumentos, burros e mulas, pode render mais uma patente internacional para a UFMG. No início de fevereiro, o departamento de patentes da Austrália publicou, em boletim oficial, o deferimento da patente brasileira. Caso o ineditismo da pesquisa não seja contestado até maio próximo, o teste já poderá ser oferecido aos laboratórios interessados.

Os trabalhos são coordenados, no ICB, pela equipe do professor Paulo César Peregrino, a mesma que conseguiu a primeira patente internacional da UFMG, ao descobrir um novo tipo de proteína do grupo dos interferons, usados no tratamento da hepatite B e da esclerose múltipla. Na Escola de Veterinária, a coordenação é do professor Rômulo Cerqueira Leite.

O novo exame foi desenvolvido através do DNA Recombinante, técnica de engenharia genética. Por meio dela, uma bactéria passa a produzir um antígeno em grande quantidade - nesse caso a proteína da camada mais externa do vírus que causa a anemia. Uma amostra do soro do animal é posta em contato com a proteína, para verificar a existência de anticorpos contra o antígeno e comprovar se o animal é portador da doença.

Esse tipo de teste, que funciona através da detecção de antígenos, é denominado Elisa, sendo "muito usado em outros tipos de diagnósticos", conta Paulo Peregrino. Mas é a primeira vez que é utilizado para detectar a anemia eqüina. "Com a patente, as chances de seu uso ser oficializado pelo Ministério da Agricultura são grandes", acredita o professor Rômulo Cerqueira Leite.

Para o professor Cerqueira Leite, as vantagens do novo teste são a rapidez - o resultado sai em poucas horas - e a segurança. "No Brasil, o teste negativo é obrigatório para o trânsito de animais. Muitas vezes, o proprietário resolve fazer o exame na hora do transporte, mas o teste oficial demora, no mínimo, 48 horas para ficar pronto", conta. O teste de Coggins, reconhecido oficialmente, utiliza uma proteína mais interna do vírus, o que alonga o tempo de identificação.

Endêmica, a anemia infecciosa possui vários focos no Brasil. Os principais estão no Pantanal Matogrossense, Roraima e Amazônia. Em Minas Gerais, as regiões mais atingidas são o Norte do estado e as fronteiras com Goiás, Bahia e Espírito Santo.

"Essa talvez seja a primeira doença causada por vírus identificada em animais, com registros que datam do século 19. Apesar disso, o nível de desinformação sobre a moléstia no Brasil é elevado", afirma o professor Leite. A anemia atinge o sistema imunológico e é transmitida por tabanídeos - tipo de mosca ou mutuca - ou por meio de agulhas não-descartáveis usadas no trato dos animais. No Brasil, devido às peculiaridades semelhantes entre o vírus da AIE e o da AIDS, a doença é também conhecida como "AIDS do cavalo", especialmente nas regiões sul e sudeste.

Mas a aplicação dos estudos não se restringe ao campo da Veterinária. O professor Paulo Peregrino explica que o laboratório em que atua no ICB - o de Vírus Humano - tem interesse especial no estudo da anemia eqüina. Isso porque ocorre uma reação cruzada entre antígenos do homem e do animal. "O vírus da anemia eqüina é do mesmo grupo do HIV, típico da espécie humana. Na reação cruzada, o anticorpo produzido pelo cavalo, por exemplo, consegue reagir com o HIV, mesmo com as constantes mutações apresentadas pelo vírus humano", afirma Peregrino. Por isso, a equipe do ICB investiga agora a causa dessa reação, o que pode levar, inclusive, a avanços na busca de uma vacina contra a AIDS.

Os estudos do teste-diagnóstico para anemia infecciosa eqüina começaram na Escola de Veterinária, em 1993, com participação do Laboratório de Doenças a Vírus do Departamento de Medicina Preventiva Veterinária e de dois pesquisadores que, na época, concluíam o doutorado: Jenner Karlisson Pimenta dos Reis, professor do Coltec, e Isabela Bias Fortes Ferraz.

Segundo o professor Rômulo Leite, o trabalho em conjunto com o Laboratório de Vírus do ICB permitiu o uso da tecnologia de reprodução do antígeno, fundamental para o desenvolvimento de testes do tipo Elisa. "A publicação da patente é muito importante, pois a Austrália tem uma política sanitária reconhecida internacionalmente", afirma Leite.

Já o professor Paulo Peregrino afirma que a possibilidade de retorno em forma de recursos é resultado de um esforço para disponibilizar tecnologia avançada para a iniciativa privada. "Nosso objetivo é fazer ciência. A patente é uma conseqüência do trabalho. Ela é importante porque salvaguarda o seu direito de uso para o Brasil", esclarece Peregrino.

O pedido de patente PI9603709 refere-se a "PROTEÍNA DE ENVELOPE GP-90 E PROCESSO PARA PRODUÇÃO DA PROTEÍNA GP-90 RECOMBINANTE DO VÍRUS DA ANEMIA INFECCIOSA EQUINA" . A presente invenção diz respeito à proteína de envelope GP-90 e do processo de produção da proteína de envelope GP-90 recombinante do vírus da anemia infecciosa equina produzida através de técnicas de engenharia genética, para ser empregada em várias técnicas imunológicas de diagnóstico como ELISA, Western Blot etc, e um possível uso como vacina na prevenção da anemia infecciosa equina. O DNA contendo o gene para a proteína ou vetores contendo o gene. O DNA amplificado foi clonado em vetor de expressão, transformado em microorganismo e os clones positivos foram identificados. Foi feita a indução dos microorganismos para a produção da proteína e após lise dos microorganismos a proteína foi purificada.de envelope GP-90 foi amplificado inicialmente partindo-se de células infectadas .

Fonte: http://www.ufmg.br/boletim/bol1308/quinta.shtml
http://www.geocities.com/~esabio/equinos/anemia_infecciosa1.htm

acesso em fevereiro de 2002
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