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Ewaldo Matte é um autodidata em eletrônica que lançou um audiômetro totalmente informatizado. Toda a arquitetura do aparelho para fazer teste auditivo, especialmente em funcionários de indústrias com alto grau de ruído, foi desenvolvida por ele, e o invento é comercializado através da sua empresa, a Micro Acoustics Equipamentos Eletrônicos Ltda., localizada em Jacareí. Em 1954, ele implantou em Serra Negra, interior de São Paulo, o primeiro sistema de televisão a cabo do Brasil e um dos primeiros do mundo. A partir de literatura que explicava a instalação de antenas coletivas para prédios, ele bolou um esquema para deflagrar o processo na horizontal. Sua idéia foi também testada com sucesso em outras cidades, como Campinas, onde chegou a ter 28 quilômetros de fios e seiscentas assinaturas. Outro feito foi ter mantido em Porto Alegre, de 1960 a 1967, a fábrica de televisores Albany, que colocou no mercado milhares de unidades, utilizando componentes e acessórios de primeira linha, importados e mesmo desenvolvidos por ele. Emocionado ao resgatar essas memórias, Ewaldo é também um entusiasta da sua atual invenção, que é sem similar no mercado, já que todos os outros audiômetros da praça são manuais. "O audiômetro emite um som numa intensidade predeterminada, e essa intensidade é diminuída até que o paciente não ouça mais. Anota-se, então, o último nível de som que ele ouviu. Aí, passa-se para outra freqüência, para outra nota e faz-se o mesmo exame. Assim, tem-se que fazer pelo menos quatro freqüências em cada ouvido. Compara-se, então, esses dados com a chamada Tabela de Fowler e, dali, tiram-se quatro índices, que são somados, dando a perda de cada um dos ouvidos. É preciso fazer uma série de cálculos manuais a partir dos resultados, e o operador tem que anotar cada resultado, permitindo uma margem grande de erro em toda a operação, já que este é um exame repetitivo, monótono, cansativo. Esse exame é obrigatório para empresas em que existe um nível de ruído relativamente alto - elas precisam fazer essa checagem periodicamente, por pressão do próprio Ministério do Trabalho. Quando saí do meu último emprego - a Schrader Bellows, instalada aqui, em Jacareí -, um empresário pediu-me para desenvolver um audiômetro. Para evitar a chateação dos cálculos, desenvolvi um microcomputador, que é inserido dentro do próprio aparelho, que faz tudo automaticamente e entrega o resultado já numa listagem de impressora. Ficou bastante simples de manusear. Cuidei pessoalmente da calibragem final da montagem dos aparelhos, mas não estava satisfeito com a montagem feita pela fábrica-cliente. A firma que me tinha encomendado o projeto faliu, mas eu continuava recebendo telefonemas, pois cuidava da manutenção do aparelho. Resolvi, então, partir para a fabricação. Grandes empresas que tinham o nosso aparelho recomendavam para outros clientes, e assim fomos fazendo uma série de conquistas no mercado. Temos na nossa lista de clientes firmas como Volkswagen, Nestlé, Latasa e Aços Villares. O SEBRAE/SP tem-nos ajudado muito, tirando qualquer dúvida que a gente tenha. Somos muito bem atendidos." "Nos anos 50, eu era professor de uma escola industrial do Estado, a Getúlio Vargas, e tinha vindo para São Paulo pensando em trabalhar com televisão, que estava começando na época. Comprei muitos livros sobre o assunto, especialmente literatura sobre antenas coletivas para prédios de apartamentos. Eu não pensava em importar, mas em fabricar aqui mesmo. Comecei a fazer experiências e sensibilizei um grande empresário, dono do Grande Hotel de Serra Negra, para um novo projeto. Foi marcada uma reunião na biblioteca da cidade, e conseguimos as primeiras adesões. O próprio empresário contatado acabou financiando a maior parte desse sistema de antena coletiva para cidades, que era inédito no mundo e ainda estava sendo testado nos Estados Unidos. Funcionava com uma torre de 25 metros que captava o sinal dos canais da época - a Tupi, o Canal 5 e mais tarde a Record - e repassava para o cabo coaxial pelos postes. Diziam que a imagem era mais perfeita do que em São Paulo, pois não tinha fantasmas nem ruído de carros. Fiz um contrato de montagem e manutenção com aquele grupo de pessoas, que conseguiu licença da prefeitura, mas não tive participação comercial nenhuma. E fui convidado para fazer o mesmo em Termas de Lindóia e em Campinas e, nessa cidade, fiz parte da sociedade. Mas faltou visão do empresariado, pois as pessoas acabaram desistindo do sistema e me deram um prazo de um mês para opção de compra. Eu não tinha o dinheiro necessário. Cheguei a falar com o Adhemar de Barros, que se entusiasmou pela idéia. Sugeri implantar o sistema em cadeia, de cidade em cidade, retransmitindo o sinal por microondas. Pensei também em instalar emissoras de televisão próprias nessas cidades e também colocar, nos canais que ficavam sem uso, faixas musicais específicas, que funcionariam como estações de rádio. Mas, infelizmente, o negócio não foi adiante. Nos anos 60, trabalhei em Porto Alegre, na Companhia de Energia Elétrica do Estado, a CEEE, e, paralelamente, comecei a fabricar televisão. Tinha trabalhado muito em manutenção de televisores e selecionei os pontos fortes de cada marca e montei a Albany. Foi o primeiro aparelho de TV que teve a petulância de dar três anos de garantia. Seguramente, ele tinha a melhor imagem e agradou muito os consumidores." Fonte: http://www.empresario.com.br/memoria/entrevista.php3?pic_me=318 acesso em julho de 2004 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |