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Um estudo em andamento no Programa de Engenharia Biomédica da COPPE já beneficiou mais de duas mil pessoas. Como parte da tese de doutorado defendida recentemente, o médico cardiologista Paulo Roberto Benchimol Barbosa desenvolveu um sistema que reduz entre 20% e 40% o tempo de diagnóstico de um aparelho de eletrocardiografia. Trata-se do primeiro equipamento completo, totalmente desenvolvido no Brasil, para Eletrocardiografia de Alta Resolução. O resultado deste trabalho já conquistou dois importantes prêmios na área médica: Cuidados pela Vida, concedido pela Academia Nacional de Medicina, e Jovem Investigador, da Associação Internacional de Eletrocardiografia, com sede nos Estados Unidos. Paulo Roberto explica que o aparelho de Eletrocardiografia de Alta Resolução detecta pequenas lesões no músculo cardíaco, ajudando a estimar o risco de uma parada cardíaca ou mesmo de uma morte súbita, antes que o paciente precise de internação. Segundo o pesquisador, o sistema melhora a qualidade da monitorização do batimento que é analisado. “O aparelho poderá identificar pequenos potenciais cardíacos, de amplitude reduzida, que são gerados por grupos de células que se localizam na parede do coração. Quando o impulso elétrico, que ativa as células, passa pela região lesionada, sofre modificações que alteram o eletrocardiograma de superfície. Assim, o aparelho é capaz de detectar as pequenas lesões no coração, indicadoras de doenças, permitindo prognósticos de arritmias graves”, explica Paulo. Para dar um exemplo sobre a eficiência do aparelho, Paulo cita o caso de pessoas que já tiveram um enfarto, que causa uma lesão no coração. Segundo ele, ao detectar essa lesão, o aparelho permitirá ao profissional da área de cardiologia identificar a melhor forma de tratamento para o paciente, sendo possível, inclusive, orientar a indicação de implante de desfibrilador cardíaco. O professor do Programa de Engenhara Biomédica da COPPE, Jurandir Nadal, orientador da tese, complementa dizendo que os médicos poderão usar o equipamento como triagem, evitando que o paciente seja submetido a exames invasivos e dispendiosos desnecessariamente, a exemplo de um cateterismo cardíaco para estudo eletrofisiológico. Segundo Nadal, a tecnologia existe em outros países, mas não com a mesma precisão do aparelho desenvolvido pela COPPE, com métodos avançados que melhoram o poder de diagnóstico da Eletrocardiografia de Alta Resolução, além de ter um custo inferior aos produzidos nos exterior. Os aparelhos utilizados para este tipo de Eletrocardiografia custam em média U$ 20 mil cada, o que limitou sua utilização no Brasil. O protótipo do equipamento desenvolvido pela COPPE já está sendo utilizado na clínica do Instituto Nacional de Cardiologia, hospital de referência do Ministério da Saúde, e no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Hospital do Fundão). Segundo o professor, ao todo, mais de duas mil pessoas foram atendidas nesses hospitais utilizando o aparelho, devido à rapidez do exame. “Normalmente se gasta uma média de 10 a 15 minutos de registro da eletrocardiografia. Com o novo sistema esta média diminui de 20% a 40%, poupando o paciente e oferecendo um diagnóstico mais preciso e de maior confiabilidade, o que pode evitar alguns óbitos cujo risco não é diagnosticado na metodologia ainda hoje utilizada no Brasil”, conclui Jurandir. A Tese, intitulada Efeitos da Ponderação da Média Coerente e da Filtragem na Detecção de Potenciais Tardios Ventriculares no Eletrocardiograma de Alta Resolução, foi defendida no 1º semestre de 2003, na COPPE. Paulo Roberto Benchimol Barbosa, pesquisador da Divisão de Hipertensão do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL) recebeu em julho de 2005 o título de de Cientista do Ano, concedido pelo International Biographic Center, de Cambridge, na Inglaterra pelo desenvolvimento e aprimoramento do Eletrocardiograma de Alta Resolução. O pesquisador já havia recebido quatro premiações, dentro delas uma da Unesco, o prêmio máximo do Ministério da Saúde e o Jovem Cientista, da Sociedade Internacional de Eletrocardiografia. Além disso, ele foi citado em três publicações da centenária revista norte americana “Who is Who”. Tamanho reconhecimento se deve a criação do exame, capaz de diagnosticar a fibrose do infarto do miocárdio antigo, as alterações da regulação dos batimentos cardíacos na hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e o risco de arritmias cardíacas fatais. Além disso, a rejeição precoce do transplante cardíaco só pode ser identificada precocemente com o auxílio do Eletrocardiograma de Alta Resolução. O programa amplia em 100 vezes ou mais a atividade elétrica de um grupo de células danificadas, detecta a causa da lesão e ainda avalia a qualidade de vida do paciente para os 12 meses seguintes à realização do exame. O sistema é utilizado no Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras há oito anos e cerca de 900 pacientes já foram beneficiados com o exame. O Eletrocardiograma de Alta Resolução não beneficia só os cardíacos, mas também os atletas. Devido à complexidade com que são vistas as células, pode-se chegar a um nível muito maior de conhecimento das condições físicas, possibilitando o treinamento direcionado e resultados superiores. Fonte: http://www.planeta.coppe.ufrj.br/artigo.php?artigo=423 acesso em setembro de 2003 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=29477 acesso em julho de 2005 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |