Biodigestor Rural Biodigestor Rural Biodigestor Rural

       






Pesquisador e incansável defensor do uso do biodigestor rural, o Prof. Jaime Germano do Nascimento, engenheiro agrônomo alagoano de Porto Calvo, radicado em Recife-PE, desenvolveu um modelo próprio de biodigestor rural que vem mostrando excelentes resultados na produção de gás e biofertilizante, além do que, suas características funcionais são bastante compatíveis com a região e cultura agrícola nordestina. O biodegestor PE, como é denominado pelo seu criador, é fruto de anos de pesquisas, análises e observações de resultados práticos, além de muita criatividade.

Com a crise do petróleo na década de 70 foi trazido para o Brasil a tecnologia dos biodigestores, sendo os principais modelos implantados o Chinês e o Indiano. Na região nordeste foram implantados vários programas de difusão do biodigestores e a expectativa era muito grande, mas os benefícios do biogás e do biofertilizante de excelente qualidade, obtidos não foram suficientes para dar continuidade a estes programas e os resultados não foram muito satisfatórios. Na Paraíba por exemplo, na década de 80, a EMATER, conseguiu através de convênio com o Ministério das Minas e Energia, a implantação de cerca de 200 biodigestores em propriedades rurais daquele estado, segundo avaliação recente do "NERG - Núcleo de Energia da UFPB" deste universo de biodigestores implantados apenas 4,6% estão em funcionamento e 96.9% dos proprietários não desejam reativar os seus. O Núcleo de Energia (NERG) do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em Campina Grande PB, teve sua origem vinculada a desdobramentos de pesquisas em energia eólica, no final da década de setenta. Posteriormente, através da ampliação de suas atividades em outros dominios correlatos,constituiu-se um grupo interdisciplinar de trabalhos em energia.

Tendo trabalhado nos programas de implantação dos dois principais modelos trazidos, quando coordenador do SEI- Sistema Energético Integrado da EMATER/PE, o Prof. Jaime aponta como um dos motivos que na sua opinião dificultou a difusão dos biodigestores, o fato de no tempo não ter sido dado maior ênfase as qualidades do biofertilizante, cujo benefício é de maior significado para o agricultor. Outro ponto citado, foi quanto a adaptabilidade dos modelos implantados. No modelo Indiano - que foi o mais difundido - um dos problemas é a campânula do gasômetro, quase na sua totalidade confeccionados em aço, aumentam muito o custo e oxidam com bastante facilidade, exigindo manutenções constantes, somado ainda ao fato de o modelo não se prestar para funcionamento com capim. Já no modelo chinês os maiores problemas são de estanquidade. Segundo o professor, devido as características do nosso solo e clima, ocorrem constantes rachaduras em sua cúpula, com consequente perda de gás.

De construção relativamente simples tais biodigestores funcionam com mistura de água, esterco animal e ou fibras vegetais como capim, cascas etc. Suas principais funções são garantir um meio anaeróbico favorável a biodigestão, permitir a alimentação sistemática da matéria orgânica e a coleta e armazenamento do gás produzido. Os resíduos líquidos e sólidos resultantes do processo formam um biofertilizante de excelente qualidade e larga aplicabilidade na agricultura.

No modelo PE, que ele mesmo define como sendo uma variação do modelo Chinês, devido a um novo desenho da câmera de fermentação e manejo, e construção independente do gasômetro, tais problemas não ocorrem, mostra disto é a unidade construída há mais de 14 anos no IPA para fins de pesquisa, e que apesar de não estar sendo usada atualmente, encontra-se em perfeito estado de conservação. Testes comparativos com a citada unidade mostraram também que a sua produtividade global é equivalente aos modelos Indiano e Chinês. Outras vantagens foram ressaltadas pelo Prof. Jaime, como o custo, paritário ao modelo chinês e bem inferior ao Indiano.

Tal diferença deve-se principalmente ao gasômetro que no PE funciona independentemente da câmera de fermentação, podendo ser dimensionado em função da curva de consumo, e em alguns casos ter seu uso dispensado ou mesmo sua construção realizada em uma etapa posterior, além disto como a campânula de metal funciona sem contato direto com a biomassa em fermentação, não sofre muito com a corrosão tendo durabilidade muito superior a do modelo Indiano, praticamente dispensando manutenção. Outro diferencial é quanto a flexibilidade do modo de carga que pode ser contínuo, semicontínuo ou batelada, funcionando muito bem com capim em qualquer um dos modos.

Em dezembro de 98 foi dado início a construção do biodigestor, empregando-se mão de obra local e tendo o Prof. Jaime participado ativamente juntamente com o pai do Célio, o Sr. José. Devido as dimensões e principalmente o perfil curvo das paredes, Sr. José chegou a duvidar do sucesso da construção, o próprio Célio diz que mesmo sendo engenheiro mecânico ficou impressionado com sua elaboração, principalmente quando as primeiras fieiras de tijolos estavam assentadas. A medida que as paredes foram sendo levantadas foram caindo todas as dúvidas e em janeiro deste ano, num clima de muita alegria, ficou pronto esperado biodigestor, entrando em operação dias depois.

Atualmente aposentado, o Prof. Jaime está colaborando com dois projetos distintos que adotaram seu biodigestor. Um projeto integrado para produção de derivados de leite de um pequeno produtor rural de Araçoaiaba e um projeto piloto da Secretaria de Agricultura de São Lourenço da Mata , que visa beneficiar pequenos produtores rurais da região, ambos em Pernambuco.

O biogás, também conhecido como gás dos pântanos é o resultado da decomposição de matérias orgânicas, em meio anaeróbio, por bactérias denominadas metagogênicas, sendo uma mistura, onde seus principais componentes são o gás metano, com valores médios na ordem de 55 a 65%, e o dióxido de carbono com aproximadamente 35 a 45% de sua composição. A produção do biogás é naturalmente encontrada em pântanos, aterros e esgotos entre outros.

Um fato curioso está ligado ao antigo costume de se enterrar o lixo em buracos nos quintais, bastante comum ainda hoje onde não se tem serviço de coleta de lixo. Após aterrado o material orgânico no meio anaeróbico formado, sob a ação da bactérias metagogênicas, passava a produzir gás metano, em alguns casos o volume retido alcançava altas pressões produzindo rompimento do solo e freqüentemente a combustão espontânea, desprendendo enormes chamas com duração de alguns minutos, tal fato algumas vezes era erroneamente associado, por desconhecimento das pessoas surpreendidas, a fenômenos sobrenaturais ou manifestações de seres místicos e folclóricos.

Atualmente, em vários países o biogás é produzido em aterros sanitários e aplicado como fonte energética em processos sanitários, e em alguns casos existe até a comercialização do biogás para uso nas indústrias. Em São Paulo o biogás chegou a ser utilizado, experimentalmente, em caminhões de coleta de lixo.

Fonte:
http://www.aondevamos.eng.br/boletins/edicao03.htm
http://www.nerg.ufpb.br/
acesso em novembro de 2002
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