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Fundada em 1996, a Liethus Iric - Indústria de Refratários e Insumos Cerâmicos é uma microempresa que entra no mercado de componentes cerâmicos com um produto inédito no mundo. Trata-se da comercialização de cadinhos à base de óxido de estanho para fusão de vidros e ligas especiais, cristalização de supercondutores e síntese de vitrocerâmicas. Um segmento bastante restrito e de alta tecnologia. O que poderá fazer a diferença, a favor da Liethus, é que tanto a tecnologia quanto as matérias primas utilizadas no produto são 100% nacionais. O preço dos cadinhos à base de estanho são até 15 vezes menores do que seus similares de ouro e platina. Vale lembrar que o Brasil possui uma das maiores jazidas de cassiterita, minério do qual se extrai o óxido de estanho, do mundo e conta com indústrias de transformação do minério em óxido de pureza analítica superior a 99,9 %. A tecnologia utilizada pela empresa na fabricação de cadinhos, assim como sua própria origem, tem suas raízes no Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC) da Universidade de São Carlos. O LIEC fundado em 1988 vem desenvolvendo e pesquisando materiais especiais e novas tecnologias, principalmente na área de refratários cerâmicos. Um das características dessas pesquisas sempre foi a interação com as necessidades das indústrias. Dentro dessa filosofia, em 1996 nasceu a idéia de criar uma empresa capaz de industrializar e comercializar as inovações desenvolvidas no laboratório que não contaram com a parceria ou o interesse imediato das indústrias já instaladas no país. Logo a idéia foi encampada por Carlos Alberto Paskocimas, um dos pesquisadores do LIEC e hoje também gerente da Liethus. O segmento de componentes cerâmicos especiais sofreu a abertura para a importação o que provocou o fechamento de muitos fabricantes de pequeno porte e a desativação de linhas de produção de empresas multinacionais, que faziam esses componentes: "Ocorre que na maioria dos casos, a ompra de componentes importados é viável apenas em grandes quantidades, o que obriga o usuário a manter estoques altos. Além disso vários usuários não se sentem muito à vontade sem um fornecedor local para atendê-los em caso de mudanças ou necessidades específicas. Isto acabou abrindo espaço para aqueles que tiverem à mão produtos avançados tecnologicamente", diz Paskocimas. No caso dos cadinhos da Liethus, foram mais de três anos de pesquisas, em várias etapas. desde a sinterização (tratamento térmico que visa consolidar e densificar o produto cerâmico final) do óxido de estanho (SnO2) e o estudo da corrosão até o produto final em nível industrial. O grande desafio para se fazer produtos à base de óxido de estanho é a obtenção de peças densas. O SNO2 apresenta dificuldade de sinterização, sendo necessário o uso de aditivos densificantes. Mas estes aditivos apresentam a inconveniência de contaminar o material a ser fundido, principalmente fibras óticas. O LIEC desenvolveu uam tecnologia para produção de peças densas obtidas a partir de cerâmicas à bse de óxido de estanho e livres deste problema de contaminação. O resultado foi uma produção de cadinhos com densidade superior a 99.5% em relação à densidade teórica. Um valor acima dos 97% obtidos em outros processos que utilizam aditivos ou prensagem a quente e relatados pela literatura da área. Podendo substituir com vantagens e a um preço 15 vezes menor, os cadinhos de ouro e platina. O produto já conta com o interesse expresso de vários usuários da indústria nacional. Também foram vendidas peças para pesquisadores de universidades do México, venezuela, França, Chile, França e Brasil que comprovaram e atestaram a qualidade do produto. Depois de conhecer a nova tecnologia, a francesa Le Verre Fluore S/A passou a comprar regularmente os cadinhos para fusão de vidro à base de flúor destinado à fabricação de fibras óticas. O processo desenvolvido pelos pesquisadores do LIEC e transferido para a Liethus permite também a obtenção de eletrodos para fusão de vidros e composições especiais. Além de outras aplicações que necessitem de estanho altamente denso e livre de contaminação, principalmente por metais de transição. Com o domínio da tecnologia a empresa deverá produzir outros componentes cerâmicos á base de alumina, zircônia e sílica, entre outros. Além de pigmentos e pós-cerâmicos especiais para atender às indústrias de produção de revestimentos. Para os pesquisadores do LIEC, os conhecimentos e técnicas desenvolvidos para a fabricação do cadinho de óxido de estanho foram úteis para o desenvolvimento de outros projetos "Atualmente já temos vários novos projetos para melhoria do desempenho de refratários para a indústria de vidros e siderúrgica. Com isso pretendemos desenvolver tecnologias para a produção de refratários de baixo custo e alto desempenho", explica o professor Elson Longo, coordenador do LIEC. A patente PI 9203435 - DEPOSIÇÃO QUÍMICA DE TITÂNIO EM BLOCOS DE REFRATÁRIOS DE CARBONO DE CADINHO DE ALTO FORNO PARA PREVENÇÃO DE DESGASTE tem como inventores Edson Roberto Leite / Carlos Alberto Paskocimas / José Arana Varela / Elson Longo da Silva / Oscar Rosa Marques / Pedro Antônio Peixoto / Sidiney Nascimento Silva e se refere a um processo para deposição química do titânio diretamente sobre o revestimento refratário de carbono de cadinho de alto forno, com o objetivo de diminuir o desgaste do revestimento com isto prolongando a campanha do cadinho. Fonte: Tecnologia & Inovação para a indústria, Sebrae, 1999, página 112 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |