Pomada para cicatrização de feridas em diabéticos Pomada para cicatrização de feridas em diabéticos Pomada para cicatrização de feridas em diabéticos

       




A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) anunciou em 2007 um creme à base de insulina capaz de reduzir o período de cicatrização de feridas em diabéticos, diminuindo o risco de amputações de membros nos pacientes. Segundo a Universidade, é o primeiro medicamento deste tipo no mundo com registro de patente e que é feito à base de insulina (hormônio responsável pela redução da taxa de glicose no sangue). O produto deve chegar ao mercado até o final de 2008. Segundo os pesquisadores, é uma alternativa mais barata do que outros medicamentos que ajudam a acelerar a cicatrização em diabéticos.

Um creme, desenvolvido à base de insulina, consegue diminuir o período de cicatrização em até seis dias, em média, possibilitando uma ação local, sem a absorção do produto pelo organismo. O novo creme já foi testado em animais no Laboratório de Biologia Molecular e teve bons resultados em experimentos realizados em humanos. Segundo os autores da patente, o endocrinologista Mário Saad e a enfermeira Maria Helena Melo Lima, professores da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), não existe no mercado brasileiro fórmula semelhante para o paciente diabético. Em geral, explica o médico, o tratamento é realizado com técnicas de controle da doença e com a assepsia do local. Outras opções de procedimentos para acelerar o processo de cicatrização, como a utilização de cobertura específica para curativos, são dispendiosas e inviáveis para o atendimento em hospitais mantidos pelo SUS.

Algumas drogas podem favorecer a cicatrização, mas não acelerá-la. Em outros países, algumas experiências utilizam outras bases como fator de crescimento da pele, mas também de alto custo. Neste sentido, a primeira idéia, esclarece Maria Helena, foi desenvolver um produto acessível a todos os pacientes diabéticos. Para chegar à formulação ideal, Saad e Maria Helena levaram, em média, um ano nos testes e em várias fases de pesquisas. A base é composta de insulina, substância encontrada por preços baixos no mercado, além de outros produtos acessíveis e de fácil manipulação. Com isso, consegue-se um produto de qualidade, sem a necessidade de altos investimentos. "É estratégico não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo, o desenvolvimento de medicamentos mais baratos. No nosso caso, são drogas já conhecidas, com novas aplicações", defende Saad.

Uma das linhas de pesquisa experimental do Laboratório de Biologia Molecular, coordenado pelo professor Mário Saad, diz respeito ao estudo da sinalização de insulina. Ao longo dos anos, foram descobertas diversas proteínas que são estimuladas pela insulina e estão presentes na pele de ratos normais. São elas: o receptor de insulina, o substrato I e II do receptor de insulina, a PI3 quinase, a AKT e a Map quinase. Todas essas proteínas, no entanto, são expressas em quantidades reduzidas no rato diabético. "Este aspecto nunca havia sido descrito na literatura. Existiam dúvidas quanto às causas desencadeadoras das dificuldades na cicatrização de ferimentos", explica. Todo o conhecimento acumulado ao longo dos anos levou os pesquisadores a uma indagação. "A dedução lógica foi que, se passasse a insulina em um determinado ferimento na pele, ela poderia ser um fator de crescimento da pele e " por que não? " de restauração do nível das proteínas", revela Saad. Começaram então as investigações para a forma mais adequada de se aplicar o produto na pele, pois havia dúvidas sobre qual seria o melhor material para aderência " se gel, spray ou pomada.

Maria Helena, que possui vasta experiência no atendimento a portadores de diabetes, fez os testes em animais diabéticos e normais, lesionando os bichos em dois locais diferentes. Em uma das lesões, aplicou a pomada com insulina e no outro local, apenas um creme normal " o mesmo utilizado para compor o novo produto, mas sem a base da insulina. No local que recebeu o novo produto, a enfermeira observou uma cicatrização muito mais rápida. "A lesão no rato diabético que recebeu só o veículo cicatrizou em 15 dias e, no outro, cujo curativo foi feito à base de insulina, o processo durou nove dias", explica. Nos ratos normais, a cicatrização também ocorreu em nove dias, o que significa dizer que os níveis de cicatrização dos animais diabéticos foram semelhantes. As respostas nos dois tipos de experimentos foram semelhantes e surpreendentes. Uma grande vantagem do produto, detalha Saad, seria a sua não-absorção pelo organismo. Durante os testes, foram colhidas dosagens de glicose de hora em hora nos animais, o que levou a concluir que a ação foi apenas local. "Não há nenhum risco de o paciente ter hipoglicemia ou de ter uma queda da taxa de açúcar do sangue. Não há interferência no tratamento", ressalta.

Como a pesquisa também foi realizada nos ratos normais, Maria Helena acredita que qualquer indivíduo poderá fazer uso do produto. No início dos testes experimentais, a expectativa era atender a um público específico, no caso os diabéticos. "A visão que temos, no entanto, é que o medicamento poderá ser utilizado em qualquer ferida", assinala. As pesquisas prosseguem até que se consiga o licenciamento da patente, mesmo porque os pesquisadores acreditam que é necessário um número muito grande de pacientes testados para validar o produto. "Não há mais dúvidas quanto à eficácia do medicamento, mas queremos realizar os testes em mais pacientes humanos para atender às exigências dos órgãos com petentes", finalizam.

"Tivemos um grande sucesso com a pesquisa em animais e já iniciamos pesquisas em seres humanos. Temos 15 pacientes estudados, e os resultados são animadores. Nós queremos ampliar estes estudos para cem pacientes", disse o endocrinologista da FCM (Faculdade de Ciência Médicas) Mário Saad, um dos autores da pesquisa. Segundo Saad, outros medicamentos para acelerar a cicatrização (sem ser à base de insulina) chegam a custar, em média, R$ 90. O novo creme pode chegar ao mercado custando cerca de R$ 10. Ele afirmou que não existe no mercado fórmula semelhante para o paciente diabético.

De acordo com a Unicamp, a diabetes atinge cerca de 10% da população adulta brasileira. Uma das principais dificuldades dos pacientes é a dificuldade de cicatrização de ferimentos por falta da insulina. Nos testes em ratos diabéticos, o creme à base de insulina reduziu em até seis dias o tempo médio de cicatrização. "Quanto maior o tempo da lesão aberta, maior a chance que o paciente tem de contrair infecção. Com esta pomada, nós estaremos acelerando o processo", disse a professora e enfermeira Maria Helena Melo Lima, uma das autoras. De acordo com os pesquisadores, atualmente o tratamento de feridas em diabéticos é feito basicamente com técnicas de controle da doença e com a assepsia do local. "Algumas outras drogas podem favorecer a cicatrização, mas não acelerá-la", disse Saad. Os testes também revelaram que o medicamento não tem absorção pelo organismo e tem ação apenas no local.

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=53184 Unicamp cria pomada de insulina que acelera cicatrização de diabético, Maurício Simionato escreve para a "Folha de SP"
acesso em dezembro de 2007
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/dezembro2007/ju384pag03.html
acesso em agosto de 2011
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