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![]() Omegna Filho dedica-se há dois anos ao desenvolvimento dessa malha feita de fibras ópticas que poderá se mostrar como uma alternativa ao tratamento convencional: o excesso de bilirrubina no sangue, que causa a chamada icterícia, reconhecida pela coloração amarelada que dá à pele e que de constitui um problema que atinge os recém-nascidos. Se não eliminada rapidamente, a bilirrubina, pigmento biliar, normalmente filtrado pela placenta ou quebrado pelo fígado do recém-nascido, causa surdez e danos ao sistema nervoso central. Todo ano, nascem, no Brasil, cerca de 200 mil crianças com índices elevados de bilirrubina no sangue, o equivalente a 5% dos nascimentos. Dessas, metade mereceria cuidados médicos mais intensivos. A hiperbilirrubinemia ou icterícia fisiológica é ocasionada pela incapacidade que o organismo de um recém-nascido tem de eliminar eficientemente a bilirrubina do sangue. Nos casos mais graves, a hiperbilirrubinemia pode ocasionar danos no sistema nervoso central, sendo que o efeito mais visível e comum é a presença do tom amarelado na pele. Atualmente, o tratamento mais extensivamente utilizado para a eliminação eficaz da bilirrubina é o emprego da fototerapia. Acontece que o tratamento convencional, chamado fototerapia, porque a luz decompõe a substância, que é eliminada do organismo, apresenta uma série de inconvenientes. Durante horas ou dias, os recém-nascidos permanecem num berço, apenas com uma fralda e uma venda nos olhos, submetidos à luz que sai de sete lâmpadas fluorescentes (ou de 14 lâmpadas, metade colocada acima e metade embaixo do bebê, nos aparelhos de fototerapia dupla). A enfermeira inglesa J. Ward, foi a pioneira no método em 1956, ao verificar que as crianças perdiam o tom amarelado da pele quando dormiam próximas da janela ou tomavam sol no jardim do Rockford General Hospital, em Essex. O método do banho de luz funciona, mas constitui uma tortura para mãe, que deseja a proximidade do filho. Embora seja o melhor disponível no momento, não é considerado tecnicamente muito eficiente, pois como as lâmpadas não podem ser colocadas muito próximas do bebê, sob o risco de provocarem queimaduras, parte da energia se perde pela distância e outra se desperdiça ao ser transformada em calor, que acentua o desconforto do tratamento. Resolvidos estes inconvenientes e tão logo esteja pronta, provavelmente no final de 2003, a manta de luz poderá ser usada em contato direto com o corpo do recém-nascido, como um simples cobertor, mas sem gerar calor. A criança poderá se deitar, com roupa, sobre a trama de fibras ópticas ou ser enrolado com o cobertor, no colo da mãe, uma forma muito mais confortável. ![]() O produto que está nascendo na empresa de Campinas representa um marco na história da fototerapia, na avaliação do médico Fernando Facchini, professor do Centro de Assistência Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Universidade Estadual de Campinas. "É outra geração de equipamento", diz. Aos 64 anos, Facchini assiste à história. Trabalhou durante 19 anos na pediatria do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, antes de ingressar na Unicamp, em 1981, e dedicar-se mais intensamente às pesquisas. Foi no início dos anos 90 que lhe chegaram às mãos os primeiros artigos científicos sobre a malha de luz. Somente há dois anos, porém, é que conseguiu importar as malhas e iniciar os testes no Caism, com resultados tranqüilizadores. "A criança pode ser cuidada pela mãe como se não estivesse fazendo fototerapia", diz ele. Nos Estados Unidos, o produto, conhecido como biliblanket, é empregado com regularidade, até mesmo em tratamentos domiciliares, reduzindo os custos hospitalares. Em 1997, Facchini levou a Omegna Filho, da Komlux, o desafio de produzir um equivalente nacional, se possível melhor e mais eficiente que o importado, que custa cerca de US$ 8 mil. Durante seis anos, entre 1977 e 1983, Omegna Filho trabalhou como técnico na Universidade Estadual de Campinas no projeto de pesquisa e desenvolvimento de fibras ópticas para telecomunicações no Brasil. Saiu de lá com 21 anos e, enquanto estudava Análise de Sistemas, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Pucc), participava do projeto e da construção das máquinas da ABCxtal Fibras Ópticas, do grupo mineiro Algar, que se tornaria uma das mais maiores fabricantes nacionais de fibras ópticas. O senso empreendedor levou-o a criar sua própria empresa em 1986, na qual ganhou experiência na fabricação de equipamentos ópticos para indústria e construção civil e no desenvolvimento de produtos da área médica, como endoscópios e videoendoscópios com fibras ópticas.Em julho de 2000, sob a coordenação de Facchini, que se tornou um dos consultores do projeto, o primeiro protótipo da manta nacional foi comparado com a importada no laboratório do Caism. Sobre as duas foram colocados capilares de vidro com um líquido de amarelo intenso, constituído por bilirrubina diluída em plasma sangüíneo. E, de tempos em tempos, era avaliada a decomposição da bilirrubina sob a ação da luz emitida pelas mantas. Os resultados mostraram-se equivalentes. Mas o trabalho não se limita à simples nacionalização. Sob a consultoria do engenheiro mecânico João Plaza, professor aposentado da Universidade de São Paulo e da Unicamp que coordena os cinco bolsistas mantidos pela FAPESP, e do físico Geraldo Ferreira Mendes, também professor aposentado da Unicamp, a equipe inovou ao criar imperfeições na superfície das fibras ópticas, as tais corrugações mencionadas no título do projeto financiado pela FAPESP. São defeitos obviamente controlados, criados por meio de pressão e de aquecimento da trama de fios, com a finalidade de aumentar a dispersão da luz. Assim, após percorrer de modo impecável o feixe de fibras ópticas, a luz vai escapar e se espalhar aleatoriamente ao chegar à trama, contribuindo para ampliar a área coberta dos recém-nascidos e acelerar a decomposição da bilirrubina. "Estamos usando uma propriedade das fibras ópticas, a reflexão interna total, e depois a negamos completamente", explica Mendes, que fez mestrado em óptica na Universidade Rochester, nos Estados Unidos, e se doutorou em microeletrônica na Unicamp, onde lecionou de 1970 a 1982, antes de se dedicar à assessoria em óptica. Os pesquisadores procuram atualmente aperfeiçoar a manta de fibras ópticas. A trama, que se segue ao feixe de fibras ópticas, ocupa uma área aproximada de 23 por 10 centímetros, próxima à da similar norte-americana. Os pesquisadores pretendem aumentar essa área ou dividir o feixe de fibras ópticas em duas ou mais tramas, para que uma superfície maior dos recém-nascidos seja coberta pela luz. Pretendem também tornar a manta mais flexível, usando fibras mais finas. Os experimentos em andamento empregam fibras de 0,25 milímetro, com diâmetro três vezes menor que o dos fios utilizados atualmente. Omegna Filho, cujos cinco filhos receberam banho de luz, embora nenhum exigindo maiores cuidados, calcula que a manta depois de pronta poderá custar cerca de R$ 2.500, equivalente aos equipamentos convencionais de fototerapia e um terço do preço dos similares importados. Ainda que atento ao mercado, planeja com rigor a próxima etapa da pesquisa: o teste nas próprias crianças, previsto para meados deste semestre. Seu olhar alonga-se para a possibilidade de produzir no Brasil as fibras ópticas da manta, feitas de plástico, o polimetil-metacrilato, e ainda importadas do Japão ou dos Estados Unidos. Olhando para a máquina de fibras ópticas de vidro, que ele ajudou a construir na ABCxtal e alguns anos depois comprou, ele conta que as fibras de plástico poderiam ser feitas por um processo equivalente, a um custo estimado de US$ 10 milhões, mas com uma demanda mensal também próxima desse valor. Fonte: http://www.fapesp.br/capa44a.htm http://www.komlux.com.br/area_med_manta.htm acesso em abril de 2002 http://revistapesquisa.fapesp.br:2222/transform.php?xml=0/3/20011030/19990744/pt/SEC1_5.xml&xsl=xsl/pt/ article.xsl&transf=normal&id=SEC1_5&lang=pt&issue=19990744 acesso em julho de 2002 http://www.komlux.com.br/area_med.htm acesso em novembro de 2002 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |