Sistema de eletronistagmografia Sistema de eletronistagmografia Sistema de eletronistagmografia

       




O Sistema Computadorizado de Eletronistagmografia (SCE) e o Sistema Computadorizado de Vecto-Eletronistagmografia (SCV) UCPel/Castagno são equipamentos para aquisição e análise da ENG e VENG, podendo realizar os protocolos da eletronistagmografia a 2 (SCE2) ou 3 canais (SCE3) independentes ou vectonistagmografia (SCV) e desenvolvido pelo Laboratório de Engenharia Biomédica da Universidade Católica de Pelotas, sob coordenação do professor Maurício Campelo Tavares, com a participação da Clínica Dr. Castagno.

O Sistema é útil em todas as fases do exame, desde o cadastramento do paciente até a emissão do laudo. A ligação com o seu microcomputador é feita através da porta serial, dispensando a instalação de placas internas. O paciente e o operador ficam completamente isolados da rede elétrica e do computador, evitando qualquer risco. Os exames de Eletro e vectonistagmografia podem ser feitas com o mesmo equipamento, mudando apenas o programa com análise automática dos sinais que diminui o tempo necessário para chegar ao diagnóstico. Os laudos podem ser emitidos em qualquer tipo de impressora suportada pelo Windows, permitindo assim uma apresentação de melhor qualidade que os equipamentos convencionais. Os estímulos óticos são gerados automaticamente (de acordo com o exame selecionado) por uma Barra de LEDs a microcontrolador.

Com suas complexas nomenclaturas, os sistemas de eletronistagmografia e vectonistagmografia garantiram à Contronic um dos troféus no Prêmio Finep 1999. A CONTRONIC Sistemas Automáticos conquistou o 2º Prêmio FINEP (Ministério da Ciência e Tecnologia) de Inovação Tecnológica, categoria equipamento médico/hospitalar, concorrendo com o sistema de eletronistagmografia. A CONTRONIC apresentou em julho projeto para participação no PAPPE (Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas), tendo sido aprovada na fase de pré-qualificação, juntamente com 88 empresas de um total de 236. O Laboratório de Engenharia Biomédica da Universidade de Pelotas foi criado em 1987, como um laboratório do curso de graduação da engenharia elétrica-eletrônica da Universidade Católica de Pelotas, com a denominação original de Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento em Instrumentação Biomédica (GPDIB). A Laboratório tem sua origem num grupo de engenheiros e técnicos anterior, responsável pela manutenção dos aparelhos eletro eletrônicos e da rede elétrica da universidade e de seu hospital universitário.

Com a formação do LEB, professores do curso de engenharia eletrônico passam a compor uma equipe para o desenvolvimento de projetos em engenharia biomédica. Em 1991 o médico Lúcio Castagno, dono da clínica Dr. Castagno, especialista em otorrinolaringologia entrou em contato com engenheiro Maurício Tavares do LEB/UCPel, através de um amigo em comum, o professor da Escola de Informática, Francisco Rodrigues, para o desenvolvimento de um sistema computadorizado de eletronistagmografia (SCE) para substituir e modernizar seu equipamento analógico de análise otoneurológica. A idéia inicial era apenas de exibir o sinal analógico na tela do computador, quando então surgiu a idéia de substituir o equipamento por completo pelo próprio computador. Os equipamentos convencionais ainda usados em larga escala no país estavam ultrapassados diante dos equipamentos computadorizados aplicadas nos centros clínicos mais avançados como Estados Unidos, Europa e Japão. Esses equipamentos são do tipo polígrafo - muito semelhantes aos aparelhos de eletrocardiograma não computadorizados.

Contando com o constante suporte da Clínica Dr. Castagno na definição de objetivos e testes clínicos, um primeiro protótipo ficou pronto em 1993 que consistia em um módulo de aquisição de sinais bioelétricos acoplado a um computador IBM-PC ou compatível. Em 1993 a equipe de pesquisadores chegou ao primeiro protótipo de equipamento, tendo sido necessária o desnvolvimento de técnicas de eliminação de ruídos elétrico e de blindagens, para evitar as interferências entre os eletrodos que são acoplados ao paciente. O segredo desta pesquisa está no desenvolvimento de circuitos eletrônicos que reduzam qualquer interferência para o computador transformar em dados limpos. Com este protótipo operacional e adaptado à realidade da clínica, que incluía a caixa e manuais de operação, Maurício Tavares que também trabalhava como engenheiro na Contronic, viabilizou uma parceria entre a empresa e a Universidade, onde era professor e não mantinha vínculo de dedicação integral.

A Contronic Sistemas Automáticos Ltda fundada pelo próprio Maurício Tavares e um sócio formado pela Escola Técnica Federal de Pelotas, é uma empresa de capital nacional, que iniciou suas atividades industriais e comerciais no ano de 1991. Até então se dedicava ao desenvolvimento e industrialização de equipamentos eletrônicos aplicados à automação industrial e equipamentos de suporte para eletrônica. A partir de 1993, em virtude do acordo de transferência de tecnologia com o Laboratório de Engenharia Biomédica da Universidade Católica de Pelotas, a Contronic inaugurou a Divisão Engenharia Biomédica, produzindo inicialmente o Sistema Computadorizado para Eletronistagmografia – SCE. A Contronic1 chegou a contatar a Companhia Riograndense de Participações sobre seu interesse em participar da empresa, porém, acabou optando por seguir um rumo independente. Seu atual presidente Sidinei Seus é formado em técnico eletrônica pela Escola Técnica Federal de Pelotas, tendo posteriormente também estudado na UCPel.

O projeto contou com recursos da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SCT/RS)2 para compra de equipamentos para o Laboratório e componentes para o projeto, através do programa Pólos de Modernização Tecnológica, que tinha como coordenador do pólo na UCPel, Cláudio Leite Gastal. O Programa de Apoio aos Pólos de Modernização Tecnológica foi criado pela SCT, em 1989, para estimular a integração entre universidades e centros de pesquisa com o setor produtivo, objetivando o desenvolvimento de tecnologias adequadas às diferentes regiões do RS. Entre os objetivos do programa encontra-se o incentivo ao desenvolvimento de produtos e processos inovadores. A SCT não financiou o projeto diretamente, mas sim um programa chamado “Consolidação do programa de P&D em Engenharia Biomédica” que incluía outros trabalhos na área. A Fapergs contribuiu com o projeto concedendo bolsas de pesquisa. O projeto não logrou conseguir recursos federais, em face da ausência de um programa de pós-graduação que pudesse justificar pleitear recursos junto à Capes e CNPq.

A Contronic, portanto, investiu num projeto que já mostrava resultados, ainda que demandasse aperfeiçoamentos, e que tinha o suporte de uma clínica especializada na área de otorrionalaringologia. Este projeto conjunto que envolveu a universidade e a empresa se encerrou em 1996, quando a partir de então a universidade começou a receber royalties pelo direito de exclusividade na fabricação do equipamento. A patente PI9300741 depositada pelo LEB em 1993, teve um papel importante neste processo, segundo Maurício Tavares, uma vez que possibilitou o intercâmbio de dados entre universidade e empresa, com uma certa garantia de preservação da propriedade. O problema da transmissão de conhecimentos da empresa tidos como “segredo de negócios” para a universidade não surgiu, porque os desenvolvimentos feitos pela equipe da Contronic só se iniciaram somente após o encerrado o contrato com a universidade em 1996. Para o presidente da Contronic, a patente de propriedade do LEB teve pouca importância no processo, destacando mais o acordo de exclusividade para comercialização do produto. Atualmente a Contronic já comercializou 220 unidades. O sucesso do produto ocorreu por ter a Contronic identificado um nicho de mercado, em face da ausência de produtos nacionais de qualidade, ao custo excessivo dos equipamentos importados e ter conseguido credibilidade ao produto vinculando-o à imagem de um médico otorrino reconhecido no meio.

A publicidade se fez através da divulgação científica nos congressos pelo Dr. Lúcio Castagno, participação como expositor em congressos de otorrinolaringologia, anúncios em revista especializada e principalmente ter explorado o fato de muitos médicos comprarem equipamentos indicados por colegas. A divisão de P&D da Contronic continuou a aperfeiçoar o projeto, principalmente no desenvolvimento após 1997, do seu software de controle, lançando a versão 4.0 para Windows. Em 1997 já com o projeto junto a Contronic encerrado, Maurício deixou a empresa para iniciar um doutorado em engenharia biomédica na UFSC. O êxito do projeto foi responsável pela entrada de recursos para o LEB que recebe 16.5% como percentual de participação nas vendas na forma de royalties. O projeto incentivou o Laboratório a desenvolver novos projetos em parceria com a Contronic. Desde então, a Contronic lançou no mercado brasileiro os equipamentos acessórios Barra de LEDs microcontrolada e Estimulador Otoneurológico E-96. Em 2002 a Contronic lançou no mercado o equipamento ATC Plus, para captação de Potenciais Evocados Auditivos, comumente designados como BERA e os Óculos de Frenzel.

Este sistema consiste em um módulo de aquisição de sinais bioelétricos acoplado a um microcomputador tipo IBM-PC ou compatível, um programa de gerenciamento de dados e acessórios opcionais. Sua finalidade é auxiliar o diagnóstico de diversas patologias do sistema vestibular através da monitorização do movimento ocular decorrente de estímulos visuais e somato-sensórios. O sistema possui uma série de facilidades não encontradas em equipamentos convencionais do tipo polígrafo. Entre elas cita-se o banco de dados com anamnese dos pacientes, ferramentas de auxílio ao diagnóstico e visualização dos sinais, análise automática dos resultados dos exames e relatórios personalizados, entre outros. Foram desenvolvidos também dois equipamentos auxiliares para estimulação. O primeiro consiste em uma barra de LEDs acionada por microcontrolador, que apresenta capacidade de comunicação serial com o módulo de aquisição de sinais, e gera automaticamente os padrões de teste para cada exame definido na eletronistagmografia.

O segundo equipamento auxiliar é um estimulador oto-neurológico cuja finalidade consiste em manter e dispensar água em duas temperaturas pré-determinadas para o exame chamado "pós-calórico". Este estimulador utiliza um microcontrolador de 16 bits para controle digital da temperatura, e estas podem ser modificadas por meio de programação. O projeto foi desenvolvido conjuntamente pelo NEB e pelos médicos da Clínica Dr. Castagno, em Pelotas a partir de um contato inicial entre o Dr Lúcio Castagno, especialista em otorrinolaringologia, que trabalhava na clínica e o engenheiro da UCPEl Maurício Tavares, que trabalhava na Contronic. Segundo o presidente da Contronic: "A Univeridade nos procurou para sermos distribuidores e acabamos virando parceiros. Passamos a ser o principal canal de comunicação entre a comunidade médica e os pesquisadores do Núcleo".

Segundo o coordenador do NEB, Alexandre Visintainer Pino "A Contronic ficou mais com parte de produção em série e comercialização dos equipamentos, enquanto o Núcleo seguiu cuidando da pesquisa e desenvolvimento dos seus produtos". O sistema é inédito na América Latina, e a solicitação de patente foi realizada ainda em 1994 para o Brasil, Uruguai e Argentina. A tecnologia foi transferida para empresa sediada em Pelotas (Contronic Sistemas Automáticos Ltda.) e já existem mais de 50 unidades instaladas em clínicas e hospitais em todo o Brasil, dentor de um mercado estimado de 500 clínicas aptas a possuir o aparelho. O projeto envolveu cinco pesquisadores da universidade e três técnicos da Contronic: "Um dos fatores de sucesso da parceria para a empresa foi sua entrada no mercado de produtos para o setor biomédico a partir de 1994", explica o presidente da Contronic Sidinei Seus. Em 1996 o convênio acabou e a Contronic passou a pagar royalties à UCPel pelo direito de exclusividade na fabricação do equipamento. A empresa prosseguiu aperfeiçoando o produto, lançando a versão 4.0 para Windows.

Fonte:
http://www.expressao.com.br/finep/premio_finep_venc.htm
http://www.contronic.com.br/
acesso em maio de 2002
http://antares.ucpel.tche.br/pesquisa/biom/sce.htm
acesso em abril de 2003
Tecnologia & Inovação para a indústria, Sebrae, 1999, página 206
http://www.sct.rs.gov.br/programas/polos/index
Agradeço a colaboração em maio/julho de 2003 de Alexandre Visintainer Pino (pino@atlas.ucpel.tche.br), Maurício Tavares (heraldica@terra.com.br) e Sidinei Seus (sseus@contronic.com.br) para composição desta página
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