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Instalada no município de Duque de Caixas, região metropolitana do Rio de Janeiro, a Apilani é a primeira firma sul-americana a fabricar cilindros alveoladores e outros equipamentos voltados para a apicultura, utilizados na produção de mel de abelha e cera. O cilindro imprime alvéolos em folhas de cera de abelha. Os apicultores forram o fundo dos favos com essas folhas, que formam a base sobre a qual as abelhas da criação depositam o mel. Em favos uniformes e do tamanho adequado, as abelhas chegam a produzir duas vezes mais mel. O cilindro é o carro-chefe da Apilani: desde 1983, a empresa que tem seis funcionários, todos envolvidos de alguma forma com a pesquisa, já vendeu cerca de trezentos desses equipamentos para apicultores no Brasil e na América Latina. Cada um custa em torno de R$ 8 mil. A história da empresa começa em 1983. A mulher de Vilani quis, por hobby, montar um apiário. Na época, havia seis cilindros alveoladores no Brasil, todos importados da Alemanha. Por causa de seu alto custo, a maioria pertencia ao governo – hoje, um cilindro alemão custa em torno de R$ 18 mil. “A dificuldade de ter acesso a esse equipamento era, na época, um verdadeiro gargalo da apicultura”, diz José Vilani Oliveira Júnior, filho de Vilani que trabalha na empresa desde jovem. Em geral, os apicultores comprarem cera das secretarias estaduais de agricultura para produzir mel. O cilindro de uma cooperativa de Niterói, percebeu Vilani, estava em péssimo estado de conservação. Os favos estavam visivelmente irregulares. Para tentar consertá-lo, levou o cilindro aos laboratórios da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.Depois de um ano pesquisando, Vilani conseguiu não só consertar aquele cilindro, mas montou uma máquina capaz de fabricar os cilindros indispensáveis para a produção industrial do mel. A matriz dos cilindros saiu melhor que a original européia, segundo Vilani: “Projetamos na nova matriz o ângulo do fundo do favo, de forma que o mel pudesse se soltar mais facilmente que do equipamento alemão”. Em Brasília, Vilani recebeu o prêmio FIPEC de Tecnologia Nacional, pela contribuição que o novo cilindro poderia dar ao desenvolvimento da apicultura. O prêmio era concedido pelo Banco do Brasil a projetos de inovação tecnológica. Na solenidade de entrega da honraria, recebeu um conselho do então presidente do Banco, Osvaldo Roberto Colin, que nunca mais esqueceu: nunca tomar dinheiro emprestado e nem comprar ou vender a prazo. Também recebeu em 1985 a medalha de ouro no Congresso Brasileiro de Apicultura, em Florianópolis. Com o sucesso dos cilindros e o incentivo dos prêmios, Vilani passou a pesquisar as demais etapas de produção do mel. Depois que as abelhas depositam o mel nos favos, o produtor retira os favos e os leva para uma mesa chamada de desoperculadora. “Desopercular” é retirar os opérculos dos favos. Lá, uma pequena parcela do mel escorre dos favos e é filtrada, mas a maior parte fica retida nos favos. Para obter o líquido, os favos são levados a uma centrífuga, onde giram e com o efeito da força centrífuga, liberam o líquido.O segundo produto fabricado pela Apilani também foi criado a partir da acurada observação de Vilani: “Quando fomos extrair mel de abelha pela primeira vez, notei que o sabor do mel que saía da mesa desoperculadora era diferente do da centrífuga”. As máquinas convencionais alteram o sabor, a espessura e o aroma do produto. Após dez anos de pesquisa, Vilani começa a vender uma centrífuga que evita o choque e conserva as propriedades originais do mel. Depois, o mel é filtrado e decanta de dois a dez dias, para que se apresente o mais homogêneo possível e livre de impurezas e, finalmente, é envasado. Nesse processo, o principal risco é de o mel fermentar, ou seja, tornar-se ácido e impróprio ao consumo por conta da formação do hidroximetilfurfural (HMF). Lígia Muradian, professora de ciências farmacêuticas na USP, diz que açúcares (como glicose e frutose) compõem 80% do mel e, quando o produto tem mais de 20% de água, há uma “alta tendência para a fermentação”. Para evitá-la, Vilani inventou desumidificadores. O desumidificador é uma câmara que retira a umidade do produto. Assim, pode-se tirar água sem estragar o mel. Por causa dos açúcares, todo mel puro cristaliza, o que é um problema para os consumidores brasileiros. A outra vantagem do desumidificador, conta Vilani, é evitar a cristalização. O empreendedor pesquisou e constatou que, quando o teor de umidade é inferior a 18%, o mel fica mais difícil de cristalizar. “Mel puro é aquele que cristaliza de forma homogênea, e não o que forma uma pedra no fundo e fica líquido em cima”, diz Manuel Tavares Ferreira, presidente da Apisflora, empresa de Ribeirão Preto que está entre as maiores produtoras de mel do País. Para produzir em torno de noventa toneladas de mel por mês, a Apisflora utiliza os cilindros da Apilani. “Os cilindros são de primeira, têm qualidade internacional”, atesta Ferreira. A empresa é certificada pela ISO 9001, versão 2000. O certificado assegura que a Apisflora possui os equipamentos adequados para produzir um mel puro. Para o setor apicultor, o mercado nacional é promissor por causa da diversidade da flora brasileira e do tipo de abelha predominante no País. Resistentes, as abelhas brasileiras dispensam controles químicos e algumas delas produzem até oitenta quilos de mel por ano. De acordo com Ademilson Soares, pesquisador da genética de abelhas na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, os insetos brasileiros são resultado do cruzamento de espécies européias trazidas por imigrantes no século XIX com espécies africanas. O litro de alguns tipos de mel com propriedades medicinais produzidos no Brasil chega a custar R$ 70. Para Vilani, o problema de ficar inventando máquinas para o setor é o alto capital imobilizado com relação à rentabilidade. Cada máquina é muito específica e a escala de produção é baixa. O empresário, que já apresentou seus produtos em uma feira especializada na Suíça, ainda diz ter grandes dificuldades para expandir o negócio e exportar para o mercado europeu. “Eles desconfiam muito de uma novidade vinda da América do Sul”, diz. Apesar disso, o negócio vai bem. Para o futuro, Vilani pensa em fortalecer o marketing e as exportações da empresa, tarefas já compartilhadas com seu filho. A Apilani também olha para oportunidades que vão além do mel. Conversas com um empresário francês há quatro anos resultaram em uma máquina que aperfeiçoou a retirada da castanha de noz de macadâmia. Originária da Austrália, a macadâmia produz uma noz que é torrada antes de ser consumida. O novo quebra-nozes consiste em um par de cilindros contendo uma câmara em forma de cunha, na qual a noz é comprimida até quebrar. Vilani lista três vantagens de seu invento com relação à alternativa, uma navalha que estilhaça a noz: podem ser introduzidas mais de uma noz por vez, é bem mais silenciosa e não há o problema de as navalhas cegarem. Fonte: http://www.inovar.org.br/cases/cases_detalhe.asp?idcaso=4 acesso em março de 2005 http://www.finep.gov.br/premio/fotos_brasilia_final_2005/julgamento/pages/Foto%20João%20Luiz-FINEP%2067_jpg.htm acesso em outubro de 2006 Agradeço a colaboração de Vilani Júnior (vilani.jr@globo.com) que enviou a revisão deste texto em junho de 2005 para composição desta página envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |