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Pesquisadores da UFRJ acabam de desenvolver um novo método de diagnóstico da tuberculose que pode se tornar uma importante arma no arsenal usado para o controle epidemiológico e o combate à doença. O grupo de Marcus Condes faz o seu trabalho analisando escarro de pacientes infectados com um tipo específico de tuberculose, a que ataca a pleura, membrana que envolve os pulmões. Trabalhando no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, a equipe desenvolveu um meio de induzir a produção do escarro em pacientes incapazes de fazer isso por si mesmos e constatou que é possível detectar cerca de 50% dos casos de tuberculose pleural analisando as amostras obtidas. Essa versão da doença não produz danos visíveis aos pulmões que possam ser observadas por meio de radiografias, o que dificulta o diagnóstico. A maior parte dos casos de infecção pela Mycobacterium tuberculosis ocorre diretamente no pulmão, produzindo a chamada tuberculose pulmonar, que responde por 80% dos casos. A versão pleural da doença é a principal vertente não-pulmonar, e havia a crença de que ela não afetasse o pulmão e, por isso, não fosse possível detectar a bactéria no catarro de suas vítimas. 'Antes todo mundo achava que a tuberculose pleural não era transmitida pelo escarro', diz Marcus Condes. 'Nosso estudo mudou isso.' Estimulando a produção de escarro usando um nebulizador (um aparelho que transforma um líquido numa espécie de spray de partículas) com uma solução hipertônica a 3% (soro fisiológico), o grupo conseguiu identificar a bactéria em metade dos casos. 'A descoberta pode ter implicações para a discussão de estratégias de controle e também oferece mais uma potencial ferramenta de diagnóstico.' O procedimento mais garantido para a detecção de tuberculose pleural é a biópsia -a coleta e a posterior análise de amostra do tecido da pleura-, um procedimento invasivo. Com o método do escarro induzido, futuros pacientes poderão ser poupados da estratégia mais violenta. Mas não é para já, indica Condes. 'O novo método não substitui a biópsia -ele é apenas mais uma arma, que é mais simples e pode ser usada sobretudo em regiões em que os recursos são mais escassos', diz o pesquisador. No estudo original, publicado na revista médica especializada 'American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine' (http://www.atsjournals.org), Condes e seus colegas trabalharam com 113 pacientes. Mas, com o estabelecimento do escarro induzido como um procedimento usual no hospital universitário, os dados sobre o método devem começar a formar massa crítica para análises. A pesquisa ganhou o editorial da revista. 'Esse estudo altamente original e cuidadosamente conduzido tem um número de implicações para a saúde pública e para a prática clínica', comentou Dick Menzies, da Universidade McGill, no Canadá, um dos grandes especialistas no assunto. A tuberculose atinge mundialmente cerca de 8 milhões de pessoas ao ano. No Brasil, o número oscila entre 90 mil e 100 mil casos. Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=11162 acesso em fevereiro de 2004 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |
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