Erva botão Erva botão Erva botão

       




O químico Walter Mors, 76, professor aposentado da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), pesquisa há dez anos o uso de erva-botão (Eclipta prostata) como antiofídico. Escolheu essa erva depois de ver seu sucesso entre índios e caboclos da Amazômia. Em laboratório, Mors conseguiu repetir a experiência com sucesso. Aplicou veneno de jararaca em camundongos e deu a eles um composto com erva-botão. "Não acontece nada com o bichinho. É impressionante", conta. Segundo ele, a erva serviria para qualquer tipo de cobra. O pesquisador diz que a erva-botão pode ter um uso preventivo. "Já vi caboclos tomando chá de erva-botão quando vão entrar em matas onde há muita cobra", diz. Segundo Mors, se algum laboratório se interessar pela pesquisa, seria posssível chegar a um remédio em cinco anos. Japoneses e norte-americanos também estão interessados em ervas com propriedades antiofídicas.

A vida profissional de Walter Mors se divide em dois períodos distintos: o do Serviço Público e o da Universidade. Formado em 1942, ingressou no ano seguinte no Instituto Agronômico do Norte do Ministério da Agricultura, em Belém, Pará. Foi lá que adquiriu o gosto pela Botânica Econômica que cultivou durante toda a vida. Seguiu-se, em 1947, a transferência para o Instituto de Química Agrícola (I.Q.A.), no Rio de Janeiro, onde consolidou sua afeição pela química dos produtos naturais. Foi nessa época, também, que nasceu o seu interesse pelas relações entre química e sistemática botânica.

O próximo passo importante foi ter trabalhado, como bolsista da Fundação Rockefeller, na Wayne State University, em Detroit, com Carl Djerassi, que seria, daí por diante, grande impulsionador da química de produtos naturais nos seus primórdios no Brasil. Ocorreu ainda no I.Q.A. o seu primeiro contato com propriedades biodinâmicas de produtos naturais, assunto que seria mais tarde aprofundado na Universidade. A extinção do I.Q.A. determinou uma mudança completa na vida de Walter Mors e de vários dos seus colegas. A passagem do grupo para a Universidade deu-se pelas mãos de Paulo da Silva Lacaz, em 1963. Durante um período de sobreposição (1966-73) Mors ainda dirigiu o então criado Centro de Tecnologia Agrícola e Alimentar, agindo com vistas a um embasamento científico para a solução de problemas práticos ligados às atribuições do novo órgão.

Na Universidade, foi na Faculdade de Farmácia que se iniciou a fase acadêmica. Foi neste espaço que ele participou da criação do Centro (hoje Núcleo) de Pesquisas de Produtos Naturais. Em colaboração com muitos colegas e alunos foi produzida uma longa série de trabalhos sobre produtos naturais, destacando-se a identificação do epoxigeranilgeraniol como a substância ativa do óleo dos frutos da sucupira-branca, que impede a penetração das cercárias do Schistosoma na pele do hospedeiro definitivo; do princípio hipoglicemiante da planta anti-diabética pedra-ume-caá; e numerosas pesquisas sobre flavonóides, alguns deles inéditos, sendo alguns apontados como indicadores evolutivos no gênero onde ocorrem. A última pesquisa se ocupa das plantas que o uso popular consagrou como antiofídicas. Foi demonstrada a veracidade desta reputação, que levou ao isolamento de várias substâncias responsáveis pela proteção que estas plantas conferem contra a ação dos venenos de cobras. Embora aposentado desde 1991, Walter Mors continua à frente destas pesquisas.

A erva botão (Eclipta alba Hassk) é uma planta encontrada na região dos trópicos e espontânea nos ambientes úmidos do Brasil; erva silvestre, ereta, de ramos tenros e com flores em capítulos cônicos de bordas mais claras. Propaga-se principalmente por sementes e apresenta bom desenvolvimento em canteiros ricos em matéria orgânica e úmidos. O interesse pelo emprego das plantas como antiofídicos começou em 1980 quando o pesquisador japonês Koji Nakanishi verificou a eficácia do medicamento Específico Pessoa, remédio popular utilizado há anos pelos cearenses para neutralizar venenos de picadas de animais e fabricado pelo Laboratório Frota, Ceará. Entretanto, não conseguiram descobrir quais eram as plantas utilizadas no preparo do remédio.

A planta Eclipta prostrata - Asteraceae, conhecida como erva-botão, e muito usada na medicina popular como antiofídica, reduziu a letalidade e antagonizou a miotoxicidade do veneno de Crotalus durissus terrificus. Desta planta, separou-se três constituintes básicos: wedelolactona, stigmasterol e sitosterol, que também apresentaram proteção contra doses letais deste veneno (Martz, 1992). Melo et al. (1994) testaram os efeitos tanto do extrato bruto de Eclipta prostrata, quanto da wedelolactona. Os resultados obtidos mostraram a presença de substâncias antiproteolíticas e anti-hemorrágicas, sugerindo a eficiência desta planta e de seus componentes no tratamento de envenenamentos.

Os venenos animais são constituídos por complexas misturas de toxinas de origem principalmente protéica, com ação enzimática ou não, sendo considerados peçonhentos somente aqueles animais capazes de produzir e inocular substâncias tóxicas em suas presas, tais como serpentes, abelhas, aranhas, escorpiões e outros. Acredita-se que durante o processo de evolução as serpentes primordiais apresentavam uma robusta musculatura axial que lhes dava um alto poder de constrição, permitindo a captura da presa por processos mecânicos. Depois, a musculatura axial deu lugar a frágeis vértebras e estas serpentes tiveram que usar meios alternativos para o ataque e defesa. Desse modo, houve a evolução de um aparelho inoculador composto pelos dois dentes maxilares superiores modificados e ligados às glândulas veneníferas por dois ductos, sendo extremamente eficiente em termos de veneno injetado. Os dentes e a secreção salivar inicialmente não teriam a função de matar, mas somente lubrificar e higienizar os dentes, ajudar na deglutição e digestão. Porém, o alongamento dos dentes facilitou a inoculação do veneno que depois foi acrescido de enzimas e polipeptídios tóxicos.

Fonte:
http://newton.dfi.ufms.br/gaecim/junho97.htm
http://www.geocities.com/sos_animal/livros/sosanimal/cap4.htm
http://www.hortomedicinal.hpg.ig.com.br/_private/plantas/erva.htm
http://www.biotecnologia.com.br/bio/4hp_8.htm
http://www.lavras.br/cepe/horto.htm
acesso em setembro de 2002
http://www.geocities.com/anesioneto/Nppn2000/cdocente3.htm?200823#wmors
acesso em junho de 2008
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