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Maringá, no norte do Paraná, é uma cidade extremamente arborizada, que representava um problema para a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Para estender ou reforçar linhas de distribuição era preciso derrubar árvores ou conviver com a possibilidade dos galhos despencarem sobre os cabos a quelquer sinal de vento, desligando o sistema. Em Maringá, as principais prejudicadas com esses desligamentos involuntários da rede elétrica eram as retransmissoras de tv. Com a cidade tem dois sistema de energia, 110 e 220 volts, apenas as empresas abastecidas com o sistema de 220 volts, mais recente, ficavam no ar durante as tempestades mais fortes, o que provocava protestos das concorrentes junto à Copel. A solução veio com a implantação das redes compactas, um sistema em que os cabos ficam mais próximos e não encostam um no outro porque são equipados com espaçadores. A solução das redes compactas já existia e é amplamente empregada em diversos países do mundo. Mas os espaçadores para essas redes eram o problema. Ao invés de comprar a tecnologia de outros fornecedores, a Copel acionou o laboratório que mantém em conjunto com a Universidade Federal do paraná, o Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento (LAC). A Vicentino's do Brasil, empresa estabelecida desde 1991 no setor de injeção de plásticos foi quem deu a partida na pesquisa "Havia o problema das redes de tv em Maringá e fomos atrás de uma solução caseira, paranaense, que nos permitiu entrar no mercado de acessórios para redes elétricas", diz Valdecir Vicentin, sócio proprietário. Os pesquisadores do LAC e a Vicentino's começaram a elaborar projetos para o espaçador e chegaram a uma solução que à primeira vista parece simples: um conjunto de anéis e ganchos reunidos em uma peça única, capaz de ao mesmo tempo prender e separar os fios da rede elétrica. Injetado em polímero plástico, o produto ganhou a resistência e a leveza necessárias á tarefa. A flexibilidade do polímero em que é produzido faz com que o espaçador acompanhe o balanço das árvores, sem que o fornecimento de energia seja interrompido ou haja perigo de fogo ou curto-circuitos. Na carona, uma série de outros equipamentos que antes eram produzidos em cerâmica ou vidro passaram a ser produzidos em polímero injetado dentro de moldes especiais. Além de garantir mais qualidade no fornecimento da energia para as cidades, que já utilizam o sistema, as empresas de energia elétrica puderam agir de maneira mais ecológica "Os novos espaçadores evitaram a poda e o corte das árvores, já que permitem a integração da rede com a vegetação", explica a pesquisadora do LAC que coordenou o desenvolvimento do projeto, Suely Monteiro de Oliveira. Química especializada em polímeros, Suely e uma equipe de seis outros pesquisadores trabalharam no material até obter o polímero que tivesse as características eletro-mecânicas necessárias para resolver o problema. Os espaçadores tinham que ser resistentes, flexíveis, leves e servir como isolantes elétricos. A invenção pode ser vista em qualquer cidade brasileira que se abasteça por luz elétrica. Os espaçadores de polímeros plásticos foram desenvolvidos em 1991 por Suely de Oliveira no Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (UFPR). São peças bem mais leves do que as até então utilizadas para sustentar a cadeia de transmissão de energia em cabos de alta tensão. Em novembro de 1997 os pesquisadores começaram o processo de homologação, com a elaboração de relatórios e apresentação dos produtos finais, já testados e aprovados pelos técnicos do LAC, Copel e Vicentino's. Três meses depois começa a implantação da linha de produção dos acessórios para rede nas unidades fabris da Vicentino's do Brasil, em Marialva, Paraná. São produzidos inicialmente espaçadores primários e secundários e isoladores. Em julho de 1998 a empresa fez a primeira venda, de 5 mil peças para a Light Rio. Hoje são clientes a Light e a Copel, que empregam largamente os acessórios da Vicentino's em locais onde haja necessidade de redes próximas a árvores. Além dos espaçadores, os produtos que geraram a pesquisa, o domínio da tecnologia de polímeros, cujos direitos legais de uso são compartilhados entre a empresa e o LAC, permitiu que a Vicentino's começasse a fabricar outros acessórios. Entre eles estão anéis de amarração, varetas de amrração e isoladores de pino. Anteriormente produzidos em cerâmica ou vidro, o domínio da tecnologia dos polímeros permitiu uma abertura de mercado no âmbito nacional e maiores possibilidades de escolha para as empresas do setor de distribuição elétrica. Fonte: Patentes - História e Futuro, edição INPI, 2002 Tecnologia & Inovação para a indústria, Sebrae, 1999, página 108 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |