FotoCrim FotoCrim FotoCrim

       




O crescimento da violência nas grandes cidades tem inspirado técnicos e cientistas de todo o país no desenvolvimento de uma tecnologia nacional de combate ao crime. Os softwares Retrato Falado e FotoCrim trabalham em conjunto. O primeiro é um editor de imagem convencional, mas carrega na memória modelos digitalizados de olhos, narizes, bocas, bigodes, barbas e até sinais congênitos que possam levar à identificação precisa de um suspeito. A grande vantagem é que tudo foi criado de acordo com o biotipo do brasileiro, bem diferente dos sistemas antes disponíveis no mercado, inspirados em padrões físicos americanos ou europeus. O Sistema Fotocrim é uma Base de Dados informatizada, que disponibiliza fotografias criminais, criado em 1996, com a finalidade de reunir as fotos de criminosos e disponibilizá-las, em Rede, para toda a Polícia Militar e, também, mais recentemente, para a Polícia Civil. O aplicativo do referido Sistema é pioneiro no Brasil. Ele foi criado e vem sendo desenvolvido pela Polícia Militar, praticamente sem custo para o Estado, e tem armazenado, hoje, mais de 60.000 fotos dos criminosos mais perigosos e que atuam no Estado de São Paulo.

Uma vez desenhada, a imagem do suspeito é transportada para o FotoCrim. Ele cruza a imagem do retrato falado com o banco de fotografias da polícia, buscando identificar o criminoso. Quando são encontradas imagens semelhantes, surgem na tela informações como altura, peso e características físicas da pessoa, suas impressões digitais e dados da ficha penal, inclusive a área e o modo de atuação criminosa. Tudo o que possa facilitar as investigações. No Rio, investigadores da Polícia Técnica estão sendo treinados para o uso do Retrato Falado, desenvolvendo, inclusive, novas técnicas de entrevista que permitam aproveitar melhor o depoimento de testemunhas na confecção das imagens. Para o criador, o sistema é simples: "É moleza. Minha sobrinha de nove anos opera o programa sem qualquer problema. O problema é interrogar uma pessoa em choque, isso sim. O treinamento dá uma visão mais global, e preparamos até uma apostila com técnicas de entrevista, fundamentos de psicologia, coisas que reuni e às quais nem sempre o policial tem acesso", diz Isnard Bernard.

O professor Isnard Martins, da Coordenadoria de Tecnologia da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, coordenador da Delegacia Virtual do Rio e da incubadora de empresas da PUC-Rio, é o criador dos softwares Retrato Falado e FotoCrim: "A técnica de entrevista é importante. Não queremos que os policiais saibam apenas utilizar a máquina. Eles também precisam tranqüilizar as pessoas. Isso abrevia o tempo da descrição do criminoso", diz Isnard Martins. No novo programa, segundo ele, os policiais poderão mexer com características do rosto, além de criar cicatrizes no computador. Isnard fala dos desafios encontrados: "O desafio que nos foi proposto, a princípio, era montar um núcleo de inteligência para o Estado. Começamos então com o Foto Inteligência [permite fazer o mapeamento de favelas e zonas de risco com fotografias de satélites], que já está sendo usado há mais de um ano. Mais recentemente é o RetratoFalado, que também está sendo chamado de RioFaces, que é um marco, um ícone desta administração [secretário Josias Quintal, sob governo Garotinho]. E a partir dali desenvolvi o FotoCrim, que é na verdade um cruzamento do retrato falado obtido com um enorme banco de dados"

Sendo um modelo totalmente experimental, este laboratório foi desenvolvido, tendo como área de testes, o setor de inteligência da Secretaria de Segurança. Este laboratório foi executado sem qualquer custo para o Estado, servindo como base conceitual preparatória do tema de doutorado em ergonomia do seu autor. Sendo um modelo fechado e desprovido de propósitos comerciais, o experimento utilizou com sucesso diversas pesquisas com moldes faciais baseados no dia-a-dia do trabalho policial da Secretaria de Segurança. Para cruzamento de elementos faciais de fontes externas, foram utilizadas autorizações específicas, permitindo o uso de informações em atividades pedagógicas ou trabalhos específicos policiais sem fins comerciais. Uma dificuldade encontrada pelo experimento no tocante ao uso de elementos faciais externos residiu na inadequação de imagens de etnias estrangeiras, distintas das características de brasileiros, não servindo desta forma para aplicações policiais genéricas de retratos falados nem para buscas em bases fotográficas para fins de captura.

O projeto desenvolveu um banco experimental com quatrocentos moldes, sendo a grande maioria destes moldes oriundos de arquivos fotográficos de apenados de onde foram retirados olhos, bocas, cabelos e outros elementos para integração biométricas. Outras fontes como Internet foram utilizadas para complementação da base do experimento. O laboratório foi desenvolvido com êxito relativo, embora de forma limitada e âmbito estritamente interno na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro. Entretanto, tanto a base do Sistema Fotocrim, bem como a base de moldes do sistema de retrato falado integrado, precisava de ampliação para permitir a continuidade eficiente do modelo preliminar. Para tanto, uma ampliação da base de moldes para polícia do Rio foi solicitada como projeto de pesquisa a FAPERJ em 2002. Devido fatores adversos e hostis, o projeto preliminar foi interrompido em 2002, sendo a sua seqüência retomada em 2004. Nesta ocasião, a base de moldes faciais preliminares havia sido totalmente descaracterizada e os equipamentos preparados para os testes iniciais redirecionados para outras atividades. Os dados preliminarmente gerados para o laboratório original não foram conservados nos equipamentos da Secretaria de Segurança, mas os resultados do laboratório serviram para comprovação do experimento. Um novo projeto particular foi então gerado. O PhotoComposer evoluiu, segundo novas técnicas, onde diversos conceitos de expressão facial foram introduzidos na preparação dos moldes, aperfeiçoando as variáveis biométricas, base para integração entre o sistema de Retrato-falado e a base foto-criminal. .

O sistema de codificação dos moldes faciais utilizados pelo retrato-falado PhotoComposer é baseado na classificação antropométrica de Bertillon, de 1882. O sistema adotou este padrão como unificador da linguagem entre os interlocutores, consagrado como o primeiro sistema científico de identificação, que considera as características fixas do indivíduo desde a idade adulta até a morte (Galante Filho, 99). Alguns traços faciais como cabelos e outros pelos faciais, que podem ser modelados pelos indivíduos, diferentemente dos olhos, boca, nariz, formato do rosto, queixo, são característicos dos modismos sociais. No Iraque, a maioria dos homens usa o mesmo tipo de bigode, os judeus ortodoxos o mesmo cabelo e barba, as mulheres podem usar o mesmo penteado em determinada sociedade ou ciclo de moda, os apenados e malfeitores, em sua maioria, procuram usar um cabelo curto, muito semelhante (Retrato Falado uma Abordagem Prática, Martins 2002). No ambiente de modelagem do programa Retrato-Falado são apresentadas 14 opções de moldes, com os quais é possível “montar” um rosto, seguindo as características e traços faciais descritas pelo entrevistado (manual operação PhotoComposer, Martins 2005).

Os resultados apresentados no novo laboratório em 2005 foram eficientes. A base do sistema retrato falado foi equipado com mil e quinhentos moldes diversos, selecionados de biótipos brasileiros. O sistema Fotocrim foi equipado com trinta mil indivíduos. O painel para pesquisa antropométrica foi ampliado, ganhando algumas características de identificação pessoal adicionais. Posteriormente, alguns testes realizados em um laboratório de testes, com participação de policiais da delegacia especializada em roubo de cargas do Rio de Janeiro (DRFC) apresentaram resultados fornecendo notável semelhança entre modelos hipotéticos gerados no programa PhotoComposer e dados reais residentes no Sistema FotoCrim.



FOTOCRIM executa com eficiência a exaustiva e, por tantas vezes, infrutífera pesquisa de indivíduos em bases de dados de médio ou grande porte, considerando características físicas declaradas por testemunhas ou captadas por veículos de monitoração presentes. O sistema seleciona candidatos com melhor aproxima-se de parâmetros selecionados como argumento de pesquisa, tal como um retrato falado gerado pela ferramenta PhotoComposer, ou sistemas integrados aos instrumentos de inteligência . Com base em resultados verificados em experiências anteriores, pesquisas geradas pelo Fotocrim fornecem, em média, amostragens próximas a dez possíveis candidatos extraídos das bases fotográficas e cadastrais. Desta forma, com recursos de paginação progressiva, a pesquisa visual dentre candidatos contidos no universo restrito do resultado processado, torna-se tarefa rápida e muito prática. Uma seqüência de informações biométricas de um indivíduo será singular quanto melhor e maior for o seu conteúdo. Por exemplo, distinguir tamanho do cabelo, forma do cabelo, cor dos olhos, forma do queixo, formato das orelhas, forma do nariz, base do nariz, forma da boca curva dos lábios, estatura, idade aproximada, cicatrizes eventuais, cor do cabelo, cor da pele e compleição física, estatisticamente será próximo a zero a probabilidade de o sistema oferecer mais de um indivíduo que atenda aos argumentos específicos desta pesquisa. Mesmo com baixa alimentação destes parâmetros, os possíveis candidatos apresentados na pesquisa podem ser observados através de rápida paginação para seleção visual do suspeito mais próximo da identificação desejada.

Fonte:
http://www.portalbarra.com.br/html/eventos/acibarra_josias02.html
http://www.jt.estadao.com.br/editorias/2002/03/07/ger018.html
http://www.polmil.sp.gov.br/frames/home/montaDestaques.asp?idxDes=14
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cidade/2001/11/03/jorcid20011103004.html
acesso em setembro de 2002
revista especial JBProjetos de Mercado, Segurança Pública e Direitos Humanos, ano 2002
http://www.peritocriminal.com.br/retfalado.htm
acesso em outubro de 2005
http://www.citynet.com.br/retratofalado/fotocrim.htm
acesso em abril de 2011
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