Motokar Motokar Motokar

       




Abraham Kasinski (ele fez um estudo de numerologia e descobriu que o nome da empresa deveria terminar com i em vez de y para dar certo) foi fundador da Cofap, vendida ao grupo estrangeiro Magneti Marelli, empresa do Grupo Fiat em 1998. Aos 82 anos resolveu fundar uma nova empresa a Kasinski: "Há 4 anos, quando aos 82 anos entrei no mercado de motos, iniciando a Motos Kasinsky, desenvolvo uma escola própria para esse negócio. Eu "experimento" gente, desenvolvendo a minha própria tecnologia e forma de fazer o negócio. Adotei essa forma de tocar o meu negócio de motos sabendo que o custo para ensinar é maior do que o custo para produzir. Mas, o mercado de motos é dominado basicamente por duas empresas, não é aberto, eles não falam e não abrem até pela cultura que trazem, de onde vêm ... Receber "paulada" faz parte de qualquer empreendimento. Levo pauladas todos os dias. Quem quer fazer um negócio deve arriscar no seu futuro. Deve ser polivalente, saber fazer não só o que gosta de fazer , mas fazer tudo o que deve fazer."

Desde a sua concepção, há três anos, a moderna e robotizada fábrica da Kasinski, que funciona com apenas 80 funcionários, em Manaus, tem registrado aumentos de produção. Em 2000, a Kasinski tinha 0,9% do mercado nacional de motocicletas; em 2002, dobrou sua participação para 2%, com 19 modelos de 50 a 250 cilindradas. No caso dos “scooters”, a empresa é líder com 52% do mercado. Mas o pulo do gato de “Seu Abraão” foi a invenção do Motokar, um utilitário com três rodas, uma mistura de carro e moto com aplicações diversas em transporte de pessoas e de cargas. As três versões (táxi, picape e furgão) já deram origem a outros sete modelos adaptados. “Faço de acordo com o gosto do freguês”, diz Kasinsky, que entregou há pouco tempo uma versão de furgão com forração térmica interna para o Pão de Açúcar. No momento, três veículos estão em teste nas lojas da rede de supermercados para o transporte de alimentos perecíveis.

O seu tempo de infância foi no Brás, quando ficava vendo a mãe empilhar as panelas no fogão, para economizar gás. Filho de imigrantes russos que chegaram ao Brasil em 1917, ano em que nasceu, Kasinsky começou a trabalhar aos dez anos de idade na loja de autopeças Três Leões, que pertencia a seu pai, Leon. Linha-dura, o pai costumava dizer que dava casa, comida e roupa lavada e que o resto os quatro filhos teriam de conseguir sozinhos. Ou seja, todos começaram a trabalhar muito cedo. Em 1941, com a morte do pai, Kasinsky passa a dividir a direção da empresa com o irmão Bernardo. Ele relutou, queria mudar de ramo. Afinal, havia acabado de formar-se em Economia. Mas acabou cedendo aos apelos do irmão. Juntos, os irmãos Kasinsky expandiram os negócios ao abrir várias lojas em São Paulo. Um dia, em 1950, perceberam que sabiam tanto sobre autopeças (eram os maiores importadores do País) que deveriam fabricá-las. Surgia a Cofap (Companhia Fabricadora de Autopeças). No final da década de 80, Bernardo vendeu sua parte na empresa. “Meu irmão foi o melhor sócio que alguém poderia ter”, costuma dizer. No anos seguintes, a Cofap foi consolidando o seu império. Vendia para todas as montadoras, exportava para 97 países e chegou a ter 35 mil funcionários, que trabalhavam nas 18 fábricas espalhadas pelo mundo. Em 1998, Abraham Kasinsky saiu da Cofap em meio a uma turbulenta disputa familiar pelo comando da empresa, que faturava US$ 1 bilhão. A primeira coisa que pensou em fazer foi partir de férias para a Europa. Aquelas, prometidas a si mesmo e jamais executadas. Mas, para onde retornaria ao final do descanso merecido? “É muito bom viajar quando você sabe para onde voltar”, diz. Adiou a viagem. Afinal, precisava encontrar um lugar para recebê-lo de volta, antes de ir. Agora, com a Kasinski, ele anda muito ocupado para pensar em ficar de pernas para o ar.

Desde criança os sonhos de Abraham Kasinsky nunca tiveram limites. Muito menos aos 87 anos. Para colocá-los em prática, não restringe a vontade de trabalhar. Por isso não percebe as horas quando está no serviço. É com esse interesse que ele sempre planeja e alcança seus objetivos. Mesmo depois de posicionar o Grupo Companhia Fabricadora de Peças (Cofap), empreendimento que fundou e presidiu, entre os líderes do mercado de autopeças na América Latina, ele retornou à linha de partida para criar, em 1998, uma nova empresa, a Kasinski Veículos, hoje referência nacional na montagem de motocicletas e triciclos. “Como empreendedor-sonhador incorrigível, estou longe da satisfação plena”, diz. Um ano depois da venda da Cofap, Kasinsky não se contentou apenas em ficar se dedicando ao hobby preferido, o cultivo de orquídeas. Adiou a aposentadoria quando surgiu a oportunidade de iniciar um novo negócio. Foi procurado por um empreendedor de origem coreana que tinha interesse em vender uma montadora de motos no Pólo Industrial de Manaus. O motivo era que estava com dificuldades financeiras e não podia mais manter a produção. “Como estava no ramo de autopeças desde 1924, com a venda da Cofap foi um ‘pulo’ para a abertura da Kasinski. Fui até lá, me encantei com o negócio.”

Fez uma proposta e fecharam o contrato de transação. O acordo previa o pagamento de todas as dívidas da empresa e a contratação do ex-empreendedor como funcionário, aproveitando seu conhecimento. Essa foi uma estratégia importante para Kasinsky entrar no ramo, por saber das particularidades e gargalos do mercado. Com a aquisição, a modesta fábrica da Hyosung passa a se chamar Kasinski Fabricadora de Veículos. Em três anos a estrutura física foi ampliada de cerca de 2.500 m2 para 18 mil m2 de área construída. Atualmente, possui uma sede na cidade de São Paulo e também 209 revendas em todo o país. O crescimento da empresa tem como principal combustível a motivação de Kasinsky. Na opinião dele, acreditar e gostar do que se faz é importante para o sucesso do empreendimento. Faz questão de buscar informações, pesquisar o mercado e trabalhar com muita disposição. Hoje, a montadora é uma das que mais crescem nessa área no Brasil. “O fato de estarmos bem posicionados no ranking de vendas é uma vitória e sinal de ótimo desempenho.” Mas ele diz que neste ano houve um aumento significativo do número de concorrentes. “Essa situação nos obriga a ‘ficarmos espertos’ para não sermos engolidos por eles, procurando estratégias e idéias novas.”

Inovar é outra marca de sua gestão. Os investimentos feitos na produção de triciclos são exemplos disso. Com esses modelos de veículos urbanos, a proposta dele foi apresentar novidades e ganhar espaço no mercado, quebrando conceitos. Também tem a preocupação em formar e capacitar a mão-de-obra, principalmente jovem. Desenvolve na empresa uma estratégia que funciona como uma escola própria. Mesmo sabendo que os custos são maiores nesse jeito de gerir o empreendimento, aos poucos, vai lapidando os funcionários e experimentando formas de fazer o negócio e criar a própria tecnologia. A infância humilde no bairro paulista do Brás fez de Kasinsky um rebelde, mas também o transformou em uma pessoa muito bem humorada e decidida. Abraçar as causas e lutar por elas tem sido seu lema. Na época, não entendia por que os pais economizavam tanto. Para gastar menos gás, enquanto cozinhava, a mãe tinha o costume de colocar de uma só vez três panelas empilhadas sobre a mesma chama, aproveitando o calor. Mais tarde, a lição aprendida cedo o ajudou no comando da Cofap, quando a empresa passou por dificuldades.

Filho caçula, aos dez anos começou a trabalhar na loja de autopeças do pai, chamada Três Leões. Com o tempo, o negócio se expandiu. Foi instalada uma bomba de combustível na frente da loja, que passou a vender também gasolina. Isso melhorou a situação financeira da família, que se mudou para uma casa no Tatuapé. Após o falecimento do pai, em 1941, Kasinsky fez uma parceria com um dos irmãos, Bernardo, para dar continuidade à empresa. Em 1950, resolveram direcionar o rumo do negócio para a fabricação de autopeças, criando a Cofap. Buscou na graduação de Economia pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) a formação necessária para conduzir a empresa com maestria por quase 50 anos. A afinada sociedade durou até 1988, quando o irmão resolveu vender a parte dele e se desligar da Cofap. Em 1997, Kasinsky aceitou uma proposta do Grupo Magneti Marelli e deixou definitivamente o controle do empreendimento, que na época já exportava para mais de 90 países, tinha 35 mil funcionários e 18 indústrias em todo o mundo.

Naquele ano, uma das ações de Kasinsky foi buscar novidades na área de duas e três rodas do outro lado do mundo, na China e na Coréia. “Paralelamente, estamos ampliando nossa rede de parceiros por todo o Brasil, visando o conforto de nossos clientes, evitando que tenham que se descolar de suas cidades para conseguir adquirir um produto de nossa marca.” A meta para o futuro é ter uma revenda Kasinski em cada canto do país. A coroação do empenho desse modelo de empreendedor brasileiro veio com o prêmio Medalha do Conhecimento, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior pela contribuição para o desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil. Mas ele tem ainda mais um sonho: fabricar um carro popular. “Esse projeto ainda é um sonho”, disse ele numa entrevista. “Estamos realizando pesquisas e testes, tenho dois protótipos rodando em Manaus, mas por enquanto não há nada de concreto quanto ao lançamento. Meu objetivo é produzir um carro de passeio originário do projeto do triciclo. Será um carro verdadeiramente popular, devendo ficar em torno de R$ 8 mil. Será um automóvel para quem não pergunta o preço, mas quanto paga por mês.”

Fonte:
http://www.kasinski.com.br/
http://www.viadeacesso.org.br/noticias/noticia40.asp
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/277/empreendedor/277_kasinsky.htm
acesso em julho de 2004
http://www.empreendedor.com.br/ler.php?cod=775
acesso em julho de 2005
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