Diagnóstico de leishmaniose em cães Diagnóstico de leishmaniose em cães Diagnóstico de leishmaniose em cães

       




A empresa Biogene, incubada no Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep), desenvolveu um kit para o teste imunológico de leishmaniose canina. O kit fornece o resultado ainda no campo, logo após a coleta de sangue, permitindo a eliminação imediata dos cães portadores da Leishmania chagasi, o parasita que causa da doença. O diretor da Biogene, Emanoel Sérvio, explica que os cães são o principal reservatório da leishmaniose visceral, endêmica no Nordeste. "Por isso o controle da doença é realizado através desse animais", afirma. Atualmente, o diagnóstico do calazar é feito em laboratório. "O sangue é coletado por agentes de saúde, que anotam o endereço do dono do cachorro. Se o resultado do teste for positivo, ele volta ao local para sacrificar o animal. Mas até lá o cão infectado continua transmitindo a doença", esclarece Sérvio.

Para desenvolver o kit, ele utilizou uma proteína recombinante obtida do DNA do protozoário através de técnicas de engenharia genética. Microesferas de látex são revestidas com a proteína, que reage com os anticorpos contra a leishmaniose presentes no soro do cão. A pesquisa foi desenvolvida na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde Emanoel Sérvio está fazendo doutorado, sob a orientação do professor Paulo Andrade, do Departamento de Genética. O kit foi testado em laboratório e agora a equipe da Biogene pretende realizar testes de campo, em grande escala. A pesquisa é financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). A expectativa é que até julho do próximo ano o produto esteja desenvolvido e possa ser comercializado.

Os custos ainda não foram avaliados, mas Emanoel Sérvio acredita que cada kit vai custar cerca de R$ 1,07. O produto recebeu este ano o prêmio regional de inovação tecnológica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia. A Biogene também desenvolveu um kit para teste imunológico da leishmaniose canina em laboratório, baseado na técnica Elisa. O kit foi concluído e está sendo adquirido pelo Governo de Pernambuco para o teste de 10 mil soros coletados de cães em todo o Estado. Há laboratórios no Recife (embora a cidade não tenha registro da doença), Garanhuns, Caruaru e Salgueiro.

No caso do biomédico Emanoel Sérvio Coqueiro, dez anos se passaram para que a pesquisa, a produção de uma proteína, a S7, que detecta com maior precisão a leishmaniose em cães, se tornasse em um produto comercializável. A pesquisa que resultou no novo método de identifição da Leishmaniose visceral foi iniciada em 1991, ocasião em que os professores Paulo e Cynthia Andrade isolaram a Proteína Recombinante. Em 92, já com a participação de Emanoel Sérvio, eles começaram a testar o uso da proteína para o diagnóstico. Nesta fase contaram com o apoio do Departamento de Genética da UFPE. O trabalho conferiu aos pesquisadores o primeiro lugar no Concurso Sobre Inovação Tecnológica de 1993, promovido pelo Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco - ITEP.

A doença, além de levar à morte, pode contaminar o homem. Através da implantação de seu próprio negócio, a empresa Biogene, incubada no Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep), ele conseguiu criar um novo teste com essa proteína (o processo foi patenteado há cerca de seis anos). A venda no Estado começou a partir deste ano, inclusive com um projeto de realizar os testes em larga escala. A proposta, que conta com a participação da UFPE e da Fundação Nacional de Saúde, é realizar 42 mil testes, até junho deste ano, nos municípios de Serra Talhada, Caruaru, Itamaracá e Goiana. "O grande desafio dos cientistas é sair da área acadêmica e transformar a sua pesquisa em um produto comercial para a sociedade, que dê lucro", afirma Emanoel, diretor gerente da Biogene.

Fonte: http://www.di.ufpe.br/~mundi/numero2/ziencia/ziencia2.html
http://www.finep.gov.br/premio/nordeste.htm
http://www2.uol.com.br/JC/_2000/1811/cm1811_1.htm
http://www2.uol.com.br/JC/_2000/0805/cm0705a.htm
acesso em janeiro de 2003
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