Mumps Mumps Mumps

       




Em paralelo ao desenvolvimento de sistemias operacionais próprios, a Cobra dedicou-se também a dotar suas máquinas de um sistema multiusuário que se tornou razoavelmente popular, devido à facilidade de uso: o MUMPS. O MUMPS chegou à Cobra através da Biodata, software-house brasileira que, a partir de contatos com a Meditech, proprietária americana do MUMPS, introduzia o sistema no país. Apesar de desenvolvido para aplicações médicas, anteviu-se a possibilidade da utilização do MUMPS, no Brasil, para aplicação on line, de maneira generalizada. A princípio, pensava-se na adaptação do MUMPS para o G-11. Diante da mudança de planos, dando prioridade à comercialização do 400, Alfredo Lucena foi convidado a coordenar o projeto MUMPS para o 400. Com a finalização do trabalho, culminando com o lançamento do Cobra 400 M (M para MUMPS) ao final de 1979, Alfredo Lucena mudou novamente de função, passando a gerente, no início de 1980, da recém-criada Divisão de Homologação de Produtos (DHP). Ao completar 10 anos, a Cobra entrega seus computadores de maior porte, os da linha 500, com os sistemas operacionais SOD e MUMPS; os de menor porte, da linha 300, possuem também o MUMPS, além do SPM e do SOM. Quanto aos computadores, já descontinuados, da linha 400, é bom não esquecer que é praticamente de autoria de brasileiros o SBC (Sistema Básico de Computadores),já que foi reescrito todo o software da Sykor. O 400, a partir de 1979, também utilizaria o MUMPS.

Segundo Otto Fuchshuber: Os primeiros computadores Cobra 500 usavam o Mumps como sistema operacional, banco de dados e linguagem de programação. O Cobra 500 foi o único computador genuinamente brasileiro, tendo nascido como um projeto nos laboratórios da PUC-RJ. Mumps, que em inglês quer dizer caxumba, foi avançado demais para a sua época. Os médicos do Massachussets University General Hospital (e mumps teria resultado de mais ou menos alguma coisa assim Massachussetes University MultiProcessing System) estavam insatisfeitos com o processamento em batch da época. Você entregava as suas planilhas de dados no final do dia ao CPD; digitadoras perfuravam cartões; conferidoras conferiam os cartões em outra máquina especializada. Os "deques" de cartões perfurados iam para o processamento, eram devidamente esquedulados como jobs na ordem de processamento do computador; depois de processados eram gerados relatórios em formulários contínuos (em papel zebrado) que no início do dia seguinte eram entregues aos usuários. O Mumps no Massachussets General Hospital foi uma tremenda inovação, pois os dados eram digitados num terminal, processados, e os dados estavam disponíveis na tela como estamos acostumados hoje, sem o retardo mínimo de 12 horas. Na época era comum que cada fabricante de computadores criava também o(s) seu(s) próprio(s) sistema(s) operacional(ais).

Mumps era três coisas: um sistema operacional, um banco de dados emestrutura de árvore, e uma linguagem de programação. O sistema operacional, tal como o Linux hoje em dia, poderia ser adaptado para rodar em várias (que se chama hoje em dia de) plataformas. O banco de dados Mumps tinha estrutura de árvore balanceada, como acontece nas profundezas de todos bancos de dados, inclusive os bancos de dados relacionais. E a linguagem Mumps era (agora chama-se MIS, se eu não estiver enganado) a linguagem mais COW que eu já ví. COW = can of worms = lata cheida de minhoca. Chama-se COW uma linguagem totalmente desestruturada, abusando de gotos etc. E mais, para cada comando, basta digitar apenas a primeira letra, por exemplo s em vez de set. Assim é uma linguagem que chamdo de write only, pois é muito difícil entender o que se escreveu num programa. Como era uma linguagem interpretada, você podia colocar trechos de código numa variável, e bastava inserir esta variável em vez de repetir o código todo. Podia-se também guardar esta variável num disquete (de 5,25"!) e antes de xecutar o trecho mandar ler a variável no disquete. Quem não tinha o disquete com a variável, não conseguia executar o programa. Mas aí vieram reclamações: num computador com Mumps não dá para rodar programas escritos em COBOL. E aí a vaca foi para o brejo: tiraram o sistema operacional Mumps e colocaram algum outro, acho que CP/M ou sei lá o que. Como o Cobol tem armazenamento de dados próprio, o banco de dados Mumps foi abandonado, salvo para os programas escritos em mumps.


Fonte:
http://mail.firebase.com.br/pipermail/lista_firebase.com.br/2006-November/034351.html
http://www.mci.org.br/biblioteca/rastro_de_cobra.pdf
acesso em julho de 2007
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