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Um estimulador cerebral, já testado com sucesso em ratos e desenvolvido pelo engenheiro paulistano Paulo Silveira da Motta, de 30 anos, especializado em sistemas microeletromecânicos, desponta como uma poderosa ferramenta para o estudo do Mal de Parkinson e também de outras doenças, como epilepsia, Mal de Huntington e depressão. A construção do equipamento, objeto da tese de doutorado de Motta, defendida em março último na Califórnia, onde mora e estuda desde os 18 anos, integra um amplo estudo realizado recentemente pela UCLA Morris K. Udall Center for Parkinson's Disease Research, de Los Ângeles, da qual ele participa há cinco anos. O Mal de Parkinson afeta a região do cérebro responsável pelo sistema motor causando, entre outros sintomas, dificuldade de iniciar movimentos, rigidez muscular e tremores. O sistema de estimulação cerebral construído pelo engenheiro brasileiro consiste de uma placa eletrônica e uma microssonda que, ao ser posicionada próxima ao núcleo subtalâmico, região profunda do cérebro, estimula esse núcleo, possibilitando o estudo da doença. "Ao instalarmos a placa estimuladora cerebral em ratos acordados e livres para se movimentarem, em vez de aplicá-la em animais anestesiados e imóveis, como vinha sendo feito anteriormente, observamos que os pulsos de corrente elétrica provocaram uma mudança no comportamento dos animais, ocasionando uma melhora na performance do sistema de controle motor do cérebro", explica Motta. A microssonda, que tem formato de uma agulha, contém vários eletrodos (canais de estimulação) e é introduzida perto do núcleo subtalâmico, com cuidado, para minimizar as lesões. Depois que a agulha é posicionada e afixada no crânio do rato, uma pequena placa eletrônica, como as existentes dentro de computadores, é instalada na cabeça do animal", esclarece. A tecnologia utilizada na construção da microssonda chama-se microfabricação, método utilizado para desenhar camadas ultrafinas que compõem transístores (bloco básico de circuitos eletrônicos e de chips de computador). Quando essas camadas superfinas são manipuladas para criar partes móveis, micromotores, sensores e outros desenhos que não formam transístores, essas partes são denominadas máquinas microeletromecânicas (ou MEMS, sigla em inglês). Chips com MEMS já invadiram o mercado consumidor há décadas. Os exemplos mais conhecidos são os cabeçotes das impressoras de jato de tinta, sensores que ativam as bolsas de ar nos automóveis, sistemas de projeção como o projetor InFocus da Texas Instrument e a nova linha de televisores da Samsung. "A grande vantagem da utilização, nesse projeto, do processo de microfabricação e MEMS é a possibilidade de desenhar a microssondas com altíssima precisão, resolução, e em larga escala, o que diminui sensivelmente o custo de fabricação", conclui Motta. Fonte: Agradeço a colaboração de Haydèe Aguiar da Next Comunicação (haydee@nextcomunic.com.br) pelo envio de informações e da foto do inventor em abril de 2005 para composição desta página envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |