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O médico, pesquisador e professor amazonense Marcus Luiz Barroso Barros, natural de Ipixuma, 56 anos é especialista em leishmaniose, e descobriu a pentamidina, uma droga que cura os portadores da enfermidade com apenas cinco injeções, contra a média de uma centena de ampolas de outros medicamentos injetáveis. Barroso Barros foi fundador do PT no Amazonas, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufa), pesquisador da Fundação de Medicina Tropical na área de saúde ambiental e o atual diretor do Ibama no governo Lula. O pesquisador é membro da New York Academy of Science, além de ter criado o Museu Amazônico, o Centro de Ciências do Ambiente e o Centro de Artes Hannehman Bacelar. A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários do gênero Leishmania, que acomete pele e mucosas; é primariamente uma infecção zoonótica, afetando outros animais que não o homem, o qual pode ser envolvido secundariamente. O modo de transmissão habitual é através da picada de insetos que pode pertencer a várias espécies de flebotomíneos, de diferentes gêneros (Psychodopygus, Lutzomya), dependendo da localização geográfica. A Leishmania é um protozoário pertencente a família Trypanosomatídae com duas formas principais: uma flagelada ou promastigota, encontrada no tubo digestivo do inseto vetor e em alguns meios de cultura artificiais, e outra aflagelada ou amastigota, como é vista nos tecidos dos hospedeiros vertebrados (homem e outros animais superiores). O período de incubação da doença no homem é, em média, de 2 meses, podendo apresentar períodos mais curto (duas semanas) e mais longo, (2 anos). A leishmaniose tegumentar americana (LTA), inclui a leishmaniose cutânea (LC) e leishmaniose mucosa (LM). A LTA, também conhecida como leishmaniose mucocutânea, úlcera de Bauru, ferida brava etc., distribui-se amplamente no continente americano, estendendo-se desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. No Brasil tem sido assinalada em todos os estados, constituindo, portanto, uma das afecções dermatológicas que merece maior atenção, devido a magnitude da doença, assim como pelo risco de ocorrência de deformidades que pode produzir no homem, como também pelo envolvimento psicológico do doente, com reflexos no campo social e econômico, uma vez que, na maioria dos casos, pode ser considerada uma doença ocupacional. Na década de 50, houve uma diminuição geral da ocorrência de casos de LTA, porém nos últimos 20 anos, vem apresentando franco crescimento, tanto em magnitude como em expansão geográfica, observando-se surtos epidêmicos nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste e, mais recentemente, na região Norte (área amazônica), relacionados ao processo predatório de colonização. Atualmente, pode-se dizer que, no Brasil, a doença apresenta dois padrões epidemiológicos característicos: 1) Surtos epidêmicos associados à derrubada das matas para construção de estradas e instalação de povoados em regiões pioneiras, e a exploração desordenada da floresta (derrubada de matas para extração de madeira, agricultura, pecuária, entre outras). Neste caso a leishmaniose tegumentar é, fundamentalmente, uma zoonose de animais silvestres, que pode atingir o homem quando entra em contato com os focos zoonóticos; 2)Leishmaniose em regiões de colonização antiga, relacionada ao processo migratório, ocupação de encostas e aglomerados semiurbanizados na periferia de centros urbanos, não associada à derrubada das matas. Neste padrão, cães, eqüinos e roedores, parecem ter papel importante como novos reservatórios do parasita e tem-se discutido a possível adaptação de vetores e parasitas a ambientes modificados e a reservatórios. Poucos estudos foram realizados nas Américas utilizando as pentamidinas na terapêutica da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). Devido o medicamento ter ação no metabolismo da glicose, pode haver hipoglicemia seguido de hiperglicemia quando do seu uso. O paciente deve ser orientado a alimentar-se anteriormente e permanecer em repouso quinze minutos antes e após as injeções. O mecanismo da resposta bifásica ainda não está esclarecido, havendo indução de citólise das células beta do pâncreas. Na Região Amazônica do Brasil e em outros países da América do Sul, utilizou-se em portadores da forma cutânea da LTA produzida por L.V. guyanensis o isotionato de pentamidina com excelentes níveis de cura clínica. Em relação aos efeitos colaterais foram considerados mínimos segundo os autores. Estudos realizados em Brasília com pacientes portadores de lesões cutâneas causadas por L.V.braziliensis e L.L.amazonensis usando a mesma dose em pacientes acompanhados por 12 meses. Obteve-se resultado semelhante ao antimonial pentavalente. Quanto aos efeitos colaterais os mesmos foram incipientes. Na Região de Corte de Pedra (BA), em pacientes com lesões cutâneas por L.V.braziliensis, os resultados obtidos foram considerados razoáveis. No Estado do Maranhão foi utilizado em pacientes portadores de Leishmaniose cutânea difusa por L.L.amazonensis e os resultados foram considerados razoáveis pelos autores. Na forma mucosa causada pela L.V.braziliensis considerados razoáveis pelos autores. Houve relatos de diabetes mellitus após o uso da medicação. A pentamidina apresenta-se sob a forma de dois sais (isotionato de pentamidina e mesilato de pentamidina). No Brasil é comercializado apenas o isotionato de pentamidina que apresenta-se em frasco ampola contendo 300 mg/sal. O mesmo deve ser diluído em 3 ml de água destilada para uso clínico em aplicações intramusculares profundas. As reações adversas mais freqüentes são: dor, induração e abscessos estéreis no local da aplicação além de náuseas, vômitos, tontura, adinamia, mialgias, cefaléia, hipotensão, lipotimias, síncope, hipoglicemia e hiperglicemia. O diabetes mellitus pode se manifestar a partir da administração da dose total de 1 g. O efeito diabetogênico pode ser cumulativo e dose dependente. É contra-indicado para gestantes, portadores de diabetes, insuficiência renal, insuficiência hepática, doenças cardíacas e em crianças com peso inferior a 8 kg. Fonte: http://ctc.fmrp.usp.br/ctc/education/mostrareportagem.asp?Id=985 http://www.redeprouc.org.br/ultimas.asp?codigo=0 http://www.ana.gov.br/clippings/degradacao.htm http://www.funasa.gov.br/pub/pdfs/manu_leishman.pdf acesso em janeiro de 2003 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |