Piridostigmina Piridostigmina Piridostigmina

       






Uma droga já usada no tratamento de alguns distúrbios neurológicos, a piridostigmina, pode combater também doenças cardiovasculares - enfermidades que respondem por cerca de 30% dos óbitos no Brasil e representam a maior causa de morte. Isso é o que sugere uma pesquisa realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF) pelo médico e professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega. O trabalho busca uma terapia contra o desequilíbrio na atividade dos ramos simpático e parassimpático do sistema nervoso autônomo observado em doenças do coração.

O sistema nervoso autônomo é responsável pelo controle das vísceras. Ele se divide em dois ramos: o simpático e o parassimpático. A ação do simpático consiste em ativar as funções dos órgãos, enquanto o parassimpático freia as atividades. As ações dos dois ramos estão em equilíbrio em indivíduos saudáveis. Porém, na maioria dos problemas cardíacos, verifica-se um efeito exacerbado do ramo simpático em detrimento do parassimpático.

O estímulo do ramo parassimpático está envolvido em medidas terapêuticas contra diversas doenças cardiovasculares, como infarto, derrame, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral (AVC). A piridostigmina também pode produzir esse efeito ao inibir a ação da colinesterase, enzima que degrada uma substância envolvida com as atividades parassimpáticas (o neurotransmissor acetilcolina). Inibida a colinesterase, a concentração de acetilcolina aumenta e as ações do ramo parassimpático são potencializadas.

Para avaliar o efeito da piridostigmina em doenças do coração, administrou-se o medicamento a voluntários saudáveis e doentes. Eles foram submetidos a diversos exames (eletrocardiogramas, ecocardiogramas, testes de esforço e estresse mental), que permitiram avaliar as ações benéficas da droga, seus efeitos colaterais e contra-indicações.

Observou-se uma redução da freqüência cardíaca, da isquemia do coração, das arritmias cardíacas e das respostas cardiovasculares provocadas pelo estresse mental. Os efeitos colaterais - salivação e tremores musculares - desapareciam tão logo a droga deixava de ser administrada. A piridostigmina deve ser usada com cautela em portadores de asma ou obstrução urinária ou intestinal.

O medicamento é barato, administrado por via oral e tem poucos efeitos colaterais. Ele já está no mercado, mas sua prescrição é restrita para alguns casos incomuns como a miastenia grave, doença em que o sistema imune destrói os receptores presentes na superfície dos músculos e capazes de reconhecer a acetilcolina. "O uso dessa droga no tratamento de doenças cardiovasculares depende ainda de um ensaio clínico acerca das diferentes taxas de morbidade e mortalidade observadas em pacientes que recebem e pacientes que não recebem o medicamento", afirma Nóbrega. "A grande dificuldade é a carência de apoio financeiro para a realização de estudos desse porte."

O médico conta que teve a idéia de usar a piridostigmina - que trata principalmente de vítimas da doença miastenia gravis (cujo maior sintoma é fraqueza muscular) - enquanto preparava sua tese de doutorado na Universidade do Texas, nos EUA.

"Já se sabia que um cardíaco apresentava menor atividade do sistema nervoso parassimpático que tem, entre outras, a função de controlar os batimentos do coração. No cérebro, a piridostigmina inibe uma enzima associada à disfunção do parassimpático. Resolvi testar se isso tinha efeito no coração" explica o médico.

Fonte:
http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n360.htm
http://www.jornalodiaadia.com.br/outras_noticias/ci%C3%AAncia.htm

acesso em fevereiro de 2002
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