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Sistema de análise por imagem ajuda a identificar fungo antes mesmo que se espalhe pelo vento. Um sistema de processamento de imagem, o Quant, permite ao produtor verificar com precisão matemática a incidência de contaminação de suas lavouras por doenças, como a ferrugem asiática. A fórmula é simples: a imagem digital das plantas é analisada com ajuda de um software específico, que leva em conta a variação das cores, com base em uma escala diagramática. O diagnóstico pode abranger grandes extensões, por meio de uma foto aérea ou por satélite, o que permite avaliar a infestação da doença de uma região inteira. O sistema Quant foi desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e breve estará no mercado. O autor é o estudante, que no ano passado fazia doutorado, José Ricardo Liberato. O orientador do aluno, o professor de fitopatologia da UFV, Francisco Xavier Ribeiro do Vale, está negociando a comercialização do produto com os distribuidores, uma vez que o aluno já é doutor e encontra-se na Austrália, para mais um curso de especialização. O professor Ribeiro do Vale explica que o programa de avaliação da variação de cores é útil porque permite uma análise precisa do estágio de infestação das lavouras. Lembra que, até então, a análise era visual, o que é subjetivo. Com ajuda do programa de computador, o diagnóstico é preciso, porque distingue 60 mil cores e tonalidades, o que torna possível determinar o grau de contaminação das folhas e plantas, a intensidade do desfolhamento e quanto do solo está exposto. Para o professor, tudo o que não é verde não é tecido sadio, mas para uma análise correta é preciso quantificar a extensão do dano, para que a lavoura possa ser tratada. Os resultados são apresentados em planilhas especificando área, perímetro e número de objetos na imagem. O programa já está registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e, breve, garante Ribeiro do Vale, estará no mercado. O professor de Viçosa calcula que o software deverá ser comercializado a R$ 500 a unidade no mercado interno e em torno de US$ 300 no exterior. O programa Quant de processamento de imagem é oportuno, agora que os técnicos concluíram que o diagnóstico precoce da doença é a saída para o controle e redução dos prejuízos causados pela ferrugem asiática. A providência tem sido o plantio de soja em áreas chamadas sentinela, instaladas 20 dias, em média, antes cultivo comercial. O objetivo é detectar a presença dos primeiros esporos do fungo causador da ferrugem. "Se ele (o fungo) aparece no plantio sentinela é sinal de que a probabilidade é grande de ocorrer durante a safra". A explicação é do agrônomo Marcos Basso, da Syngenta. Como a Syngenta, a maioria dos fabricantes de defensivos contra a ferrugem asiática desenvolve projetos com o objetivo de alertar e orientar os produtores a controlar a praga. Segundo Basso, se o fungo da ferrugem for identificado no plantio sentinela, a recomendação é fazer a aplicação preventiva de fungicidas nas lavouras para o controle da doença, antes que o fungo se espalhe pelo vento. "Os plantios sentinela, geralmente em pequenas áreas, têm como foco principal antecipar as decisões do agricultor". A Embrapa e instituições particulares também criaram meios de vigilância. A Fundação ABC, do Paraná, mantém o seu sistema de alerta nas lavouras de seus mantenedores. O pesquisador Olavo C. da Silva, da Fundação ABC, lembra que a ferrugem asiática era desconhecida na safra 2001/02, embora já presente no País. Em 2002/03, a praga disseminou o medo entre os produtores. Na safra seguinte, já se obteve algum meio de controle. Hoje, segundo Silva, é possível alcançar 100% de sucesso, se forem adotadas as medidas de cautela e de prevenção. Fonte: Software evita perdas com ferrugem, Autor: Isabel Dias de Aguiar, Fonte:Gazeta Mercantil 19/5/2005 envie seus comentários para otimistarj@gmail.com. |