Eletrificação rural de baixo custo Eletrificação rural de baixo custo Eletrificação rural de baixo custo

       




O engenheiro agrônomo gaúcho Fábio Rosa, 41 anos, dedicou os últimos 20 anos ao desenvolvimento de sistemas de eletrificação rural e produção agrícola de baixo custo. Na noite da última quinta-feira, recebeu US$ 50 mil em reconhecimento ao trabalho. Foi o único brasileiro entre os 25 finalistas do prêmio The Tech Museum Awards – promovido pelo The Tech Museum of Innovation, no Vale do Silício, em San Jose, Califórnia – que destaca empreendimentos voltados ao benefício da humanidade. Rosa estima que seus projetos já tenham beneficiado de 800 mil a 1 milhão de pessoas no Brasil. Ao assumir como secretário da Agricultura da recém-emancipada Palmares do Sul, no litoral norte do Estado, em 1983, diagnosticou que o maior anseio da região era energia elétrica. "Descobri um pedaço do século 19 a 80 quilômetros da Capital".

Fábio não descobriu nenhuma nova tecnologia. Sua estratégia é adaptar a tecnologia existente para a realidade daqueles que precisam dela. O projeto piloto do município gaúcho de Palmares do Sul, iniciado em 1983, é um bom exemplo. Em vez das tradicionais linhas trifásicas, com grandes transformadores, Fábio projetou uma rede monofásica. Adaptou um sistema de transmissão com fios condutores de aço zincado (um tipo de arame) e transformadores monofásicos, ante os trifásicos e os condutores de alumínio. O aço zincado – não conduz eletricidade com a mesma eficiência, mas é mais resistente – permitiu que os postes por quilômetro se reduzissem de 12 para três. As iniciativas diminuíram o custo médio da época para se levar luz a uma propriedade de US$ 7 mil para US$ 500. O valor era rateado entre os produtores. O projeto chamou a atenção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que liberou R$ 4 milhões. Nos anos 90, fundou o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e Autosustentabilidade. Em Valente, na Bahia, desde 1995, 450 famílias se beneficiam de um sistema de painéis de energia solar que abastecem casas e cercas elétricas projetadas pelo engenheiro.

Entre os outros finalistas, provenientes de mais de 50 paises, e representantes das maiores empresas de tecnologia do Vale do Silicio, o engenheiro gaucho se sentiu o proprio "Ze' Carioca". "Havia projetos fantasticos la", conta Fabio, entusiasmado. "Tudo era super high tech. E eu cheguei la' sozinho, so' com fotografias e um material impresso de divulgacao; tudo muito humilde. Nao tinha nenhuma esperanca de ganhar." Mas ganhou. E com louvor, segundo o diretor do Centro de Ciencia, Tecnologia e Sociedade da Universidade de Santa Clara, James Koch, que participou da selecao dos ganhadores. Um ponto forte do projeto, segundo o diretor, e' que ele pode ser facilmente duplicado em qualquer parte do mundo.

Para as áreas mais isoladas, onde a rede elétrica realmente não chega - os chamados "vazios elétricos" - o engenheiro Fábio Rosa criou um modelo de desenvolvimento com base em fontes de energia renovável. No semi-árido da Bahia, por exemplo, painéis solares são usados para alimentar cercas elétricas que possibilitam a criação de cabras para a obtenção de carne e leite. Por incrível que pareça, a cerca elétrica, adaptada por Rosa, é muito mais barata que a cerca convencional, pois requer muito menos arame e mourões. A diferença do custo por quilômetro de cerca, segundo o engenheiro, é de US$ 4 mil para US$ 600. "O sertanejo ganha um modelo de atividade econômica e reforça sua dieta com proteína animal." O mesmo modelo possibilita a criação de gado em sistema de pastoreio rotativo racional no Rio Grande do Sul. A cerca elétrica, alimentada por energia solar, é usada para dividir o pasto em zonas usadas alternadamente. No Paraná, o sistema é usado na criação de búfalos e reduz o corte de áreas residuais de mata atlântica. "Os animais produzem mais em uma área menor e com isso preservamos a biodiversidade", diz o engenheiro.

O IDEAAS foi fundado em 18 de abril de 1997 e atua nos campos do desenvolvimento sustentável e da conservação ambiental em áreas rurais. Tem foco de atuação em: - modelos de negócios sociais - eletrificação rural e energias renováveis - geração de renda e uso produtivo de energia - desenvolvimento de processos sociais - manejo de biodiversidade local para geração de renda - produção florestal com espécies nativas - políticas públicas - tecnologias adequadas. Modelos desenvolvidos e implantados pelo IDEAAS beneficiam milhares de pessoas e alguns deles são referência em programas nacionais e internacionais. A missão do IDEAAS é desenvolver, instalar e demonstrar modelos de desenvolvimento sustentável para populações rurais de baixa renda, empregando tecnologias de alta eficiência e baixo custo nos campos de energia renovável e ciência agronômica.

Entre 1983 e 1988 desenvolveu-se um sistema de eletrificação rural conhecido como sistema de eletrificação rural de baixo custo - sistema monofilar com retorno por terra / MRT. Esse sistema é atualmente muito comum em todo o Brasil, na área rural. Foi consolidado à época em que o atual Fundador e Diretor Executivo do IDEAAS trabalhava para o município de Palmares do Sul - RS como Secretário da Agricultura, em sua busca de servir a população rural que não tinha acesso à energia elétrica. A importância da energia estava em viabilizar atividades agrícolas através do bombeamento de água para plantio de arroz irrigado, além do impacto imediato para a melhoria de qualidade de vida das pessoas. Esse sistema foi fundamentado no trabalho de pesquisa e desenvolvimento do Prof. Ênio Amaral, da Escola Técnica de Pelotas, aperfeiçoado e colocado em prática por Fábio Rosa, Eng. Agrônomo, e Ricardo Mello, Eletrotécnico. O custo de implementação foi reduzido em 90% e todo o município de Palmares do Sul ficou servido no período.

Entre as consequências, vale ressaltar a reversão de taxas de êxodo rural e o retorno de pessoas que viviam em Palmares do Sul e haviam partido pela falta de condições de vida básicas. Somente em projetos diretamente acompanhados por Fábio Rosa e Ricardo Mello, contabiliza-se que o sistema serve, atualmente, mais de um milhão de pessoas no meio rural em todo o Brasil. Foi expandido com fundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) através dos seguintes projetos: Palmares do Sul - RS, entre 1983 e 1988. Proluz I, no estado do Rio Grande do Sul, entre 1989 e 1993 e Proluz II, no estado do Rio Grande do Sul, entre 1994 e 1998, totalizando 40 municípios. Luz da Terra, no estado de São Paulo, entre 1994 e 2000.

Os pontos marcantes desse histórico, que retardaram o acesso à energia para a população e constituíram obstáculos a serem vencidos, foram a resistência à modificação dos padrões de rede de distribuição de energia no Brasil, o descrédito em um sistema inovador e mais barato, construído com apoio comunitário em sistema de mutirões, e a dificuldade política de dar continuidade à replicação do modelo. Ainda hoje o Brasil detém uma população de aproximadamente 24 milhões de pessoas (estimativas do IDEAAS) que não têm acesso à energia no meio rural. O modelo foi estudado e validado pela Escola Politécnica da Universidade de são Paulo (USP) e serviu de referência para o Programa Luz para Todos, que é o programa de universalização do acesso à energia do governo federal brasileiro.

Segundo o Engenheiro Agrônomo Gilmar Pinto da Costa "este sistema foi inventado pelo Professor Enio Amaral na antiga Escola Técnica Federal de Pelotas, hoje Cefet RS Pelotas. Isto aconteceu no inicio da década de 70 entre os anos 1973 a 1976. Nesta época eu estudava lá e fui aluno do Prof Enio e acompanhei seu trabalho de pesquisa com transformadores monobucha e transmissão em arame galvanizado. Ele era natural de Piratini, interior do estado, município muito pobre e cheio de fazendas, por isso o arame que era usado para fabricar cercas para deter o gado foi usado para conduzir energia elétrica. Ele era uma pessoa muito boa e muito humilde, talvez por isso não seja reconhecido pelo seu trabalho, mas ele era um inventor estava sempre juntando sucatas e inventando algo para facilitar a vidas das pessoas, no caso o arame galvanizado, que jamais tinha sido pensado em transmitir energia eletrifica. Lembro que na educa quando ele apresentou este trabalho muitos ficaram rindo dele e debochando da sua idéia, diziam quem é esse louco que quer usar arame para transmitir energia eletrifica, alguns engenheiros riram e falavam que isso era inviável divido a alta resistência eletrifica do arame, mas ele dizia que sim isso era fato, mas a resistência física do arame permitia colocar poste mais longe e inclusive atravessar banhados coisa muito comum na região"

Fonte:
http://www.clicengenharia.com.br/noticias/energia.htm
http://www.cerpch.efei.br/noticias/Outubro/22%20informativo/EP.HTML
http://www.ifi.unicamp.br/jornal-da-ciencia/msg00827.html
http://infoener.iee.usp.br/infoener/hemeroteca/imagens/55816.htm
acesso em dezembro de 2003
http://www.ideaas.org.br/id_apresent.htm
acesso em maio de 2005
Agardeço a Gilmar Pinto da Costa (costagp@terra.com.br) pelo envio de informações em junho de 2006 para compsição desta página
Jornal do Comércio data 06.11.2001 página A6 (Economia) "Engenheiro Brasileiro premiado nos EUA"
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