Ventilador Spirit Ventilador Spirit Ventilador Spirit

       




Guto Indio da Costa, um dos mais conceituados designers brasileiros, se tornou famoso por dar novos e bem sucedidos rumos as empresas que desejam se tornar mais competitivas. Em seu escritório no Rio de Janeiro, juntamente com seus sócios, Martin Birtel e Eduardo Azevedo, e uma equipe de 20 profissionais, é responsável pela elaboração de projetos inteligentes e lucrativos. A meta da empresa é criar soluções inovadoras, tornando os produtos mais atraentes e seus fabricantes mais competitivos. "Antigamente a tecnologia era um patrimônio único e individual de cada empresa. O fator tecnológico fazia a diferença, porém com a difusão da tecnologia e da qualidade do produto, que hoje são requisitos básicos exigidos pelo consumidor, o que diferencia um produto é o preço e o design" diz Guto Indio da Costa, diretor da Indio da Costa Design. O Ventilador Spirit, uma das criações de maior sucesso de Guto Indio da Costa e equipe, é um exemplo típico de preço e design como diferencial. O produto foi desenvolvido a pedido de um fabricante de fitas cassetes no Rio de Janeiro, que estava tendo problemas com a concorrência e que já não era tão competitivo e lucrativo como no passado.

O objetivo da empresa, a Plajet, era aproveitar toda a sua estrutura, incluindo o maquinário, para produção de um novo produto. Isso porque as máquinas estavam praticamente ociosas, pois eram utilizadas na fabricação de fitas cassetes, que já estavam em desuso no mercado. Dessa forma, a empresa tinha a necessidade de criar um novo produto para fabricar, mas não sabia como. Esse foi o papel da Indio da Costa Design. O sucesso do projeto foi tanto que a empresa conseguiu se estabilizar através da fabricação do Ventilador Spirit. Com o projeto, a Plajet pôde abrir mão da fabricação de fitas cassetes. A principal vantagem da empreitada foi o sucesso no aproveitamento das mesmas máquinas que estavam praticamente ociosas antes da produção do Spirit na fábrica.

Ao invé de se debruçar sobre os tradicionais ventiladores de três pás, resolveu criar outro. "Se aviões monomotores conseguem voar com hélices de duas pás, por que um ventilador assim não faria vento?". Oito protótipos depois, o Spirit estava pronto. De plástico policarbonato translúcido e colorido, com apenas duas pás, o Spirit deu tão certo que o investimento de pouco menos de 1 milhão de reais já produziu um faturamento de 30 milhões de reais. mais de 250 mil unidades foram vendidas em apenas dois anos. O desenho sofisticado e o preço acessível levaram o aparelho a lojas populares como Casa e Vídeo e aos corredores de shoppings sofisticados. Para Guto, além do dinheiro, o Spirit representa 40% do faturamento de seu escritório, a criação trouxe mídia, clientes, prêmios importantes: "Acho que as pessoas começaram aperceber que existe um negócio chamado design por trás dos produtos que utilizamos no dia a dia, o que valoriza nosso trabalho", diz.

Tudo isso foi possível graças a um planejamento estratégico personalizado. De acordo com Guto Indio da Costa, além de criar ou tornar um produto mais moderno, o designer facilita o desenvolvimento de acordo com a necessidade da indústria em questão. No caso da Plajet, o produto foi desenvolvido sob o conceito de economia, aproveitando ao máximo a matéria-prima. O resultado é um ventilador econômico tanto na fabricação quanto no uso. O Spirit é composto por quatro peças principais e produzido com policarbonato, um material à base de resina que garante a produção em larga escala e é praticamente inquebrável.

Ao evitar desperdícios na linha de produção, a Plajet conseguiu investir em produtos diferenciados, inovadores, de qualidade e desejados pelos clientes. "Nossos projetos de design visam o equilíbrio entre preço e design, porque uma empresa que briga só por preço está fadada a estagnação. Somente o design consegue diferenciar um produto com atributos como facilidade de uso, ergonomia, beleza e inovação estética e de funcionamento" complementa o designer. As principais vantagens do Spirit são a alta circulação de vento, que pode ser até 30% superior aos modelos tradicionais, e a economia de energia. Isso sem falar no preço acessível. O ventilador foi concebido para lâmpadas comuns, de até 100 Watts, ou fluorescente, que garantem 80% de economia para o consumidor. Muito além da estética, o segredo de sucesso de um projeto de design está no aproveitamento máximo dos processos produtivos utilizados na criação dos produtos. Isso envolve a fabricação e tempo de montagem, bem como o bom aproveitamento da matéria prima. Com economia de custos, as empresas conseguem produzir em alta escala e conseqüentemente comercializar o produto a um preço mais acessível.

Guto explica como distinguir um bom design: "Antes de tudo pela inovação. Não vejo porque criar um produto que já é encontrado no mercado. Para que seja uma inovação completa, é preciso que haja diferenciais em três áreas: técnica, que pode ser uma maneira mais inteligente de uso ou uma simplificação; funcional, que torne o uso do produto mais prático; e estética. Uma criação que atenda a esses três quesitos é a que considero muito bem sucedida. Ele explica como vê a diferença do design brasileiro: "No meu entender, temos a grande responsabilidade de criar produtos para uma população de baixa renda. Acredito que o design brasileiro vai se diferenciar pela simplicidade, ou seja, menor quantidade de menos peças e montagem mais simples. O grande desafio é criar com poucos recursos. Não temos um mercado que pode pagar mais como os americanos e europeus."

O Ventilador Spirit é um dos produtos mais premiados de que se tem notícia no Brasil. De dezembro de 2001 até hoje - ou seja, em menos de dois anos - o produto já pode ostentar títulos que lhe garantem a consagração também nos meios especializados. No Brasil, são três os prêmios que merecem destaque. O Museu da Casa Brasileira e o Ecodesign, em 2002, e o Moinho Santista, em 2003. O primeiro foi concedido pela entidade de mesmo nome, que, desde 1986, vem contribuindo para o reconhecimento do design nacional nos setores de móveis, eletrodomésticos e lar e lazer, além de revelar novos talentos. O segundo, criado em 1997, é promovido pela FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - e pretende incentivar a utilização do design como ferramenta para a criação de produtos ambientalmente adequados. Os materiais recicláveis e o consumo racional de energia, além do design inovador, conferiram ao Ventilador Spirit o primeiro lugar entre nove finalistas. O Prêmio Moinho Santista já consagrou, desde 1955, personalidades como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Di Cavalcanti. Concedido pela Fundação Bunge, premiou, em 2003, quatro vencedores nas categorias Sênior e Juventude. Guto Índio da Costa foi um dos agraciados graças à sua mais famosa criação: o Ventilador Spirit, é claro, que garantiu ao designer o reconhecimento de um dos mais conceituados prêmios do Brasil. Na Europa, a consagração veio com aquele que é considerado o "Oscar" do design industrial, o IF Design Award, em Hannover, Alemanha. Realizado desde 1958 pelo Industry Forum Design Hannover, o prêmio teve, em 2002, 1.080 inscritos de 35 países. A conquista do Ventilador Spirit é a prova de que o seu sucesso, definitivamente, não tem fronteiras.

Para Guto o Spirit representa mais do que o faturamento em dinheiro. è a consolidação de uma carreira de dez anos, iniciada meio por acaso. Quando saiu do colégio ele não sabia o que queria. Um teste vocacional ajudou pouco. Guto tentou engenharia, mas não passou no vestibular e acabou cursando desenho industrial na Faculdade da Cidade. Dois anos depois fez as malas e foi estudar no Art center College of Design. Fez parte do curso na Suíça e parte nos Estados Unidos. Voltou em 1994 quando soube que a prefeitura do Rio faria dentro do projeto Rio Cidade uma concorrência para criar mobiliário urbano (postes, , pontos de ônibus, etc) do leblon. Ocupou um canto do escritório do pai, o arquiteto Luis Eduardo Índio da Costa e Põs mãos a obra. Iniciou-se com o pé direito. seu projeto não apenas venceu como foi o mais elogiado de todo o Rio Cidade. Graças a ele Guto ganhou o primeiro IF, um dos prêmios em design mais prestigiados do mundo. Hoje ele divide meio a meio o escritório com o pai e comanda uma equipe de trinta pessoas. E seus projetos mais recentes foram criados para dois gigantes da indústria: um fogão inox para a GE e um espremedor de frutas para a Arno, ambos já comercializados fora do Brasil.

Mesmo assessorado juridicamente por um escritório especializado em propriedade intelectual, Índio da Costa não se livrou de problemas de plágio e cópias de projetos: "Criamos o Spirit, o cliente registrou e, anos depois, um fabricante trouxe da China moldes para produzir produto idêntico", diz Índio da Costa. O cliente, dono da marca, entretanto, correu atrás de seus direitos e conseguiu mandado de busca e apreensão. Embora o designer defenda ardorosamente a proteção dos porjetos criados plea empresa, é comum que os clientes não queiram fazer o registro antes da data do lançamento do produto: "Muitas vezes, um projeto fica até quatro anos na gaveta, sob a justificativa do cliente de que pode sofrer algumas modificações até o lançamento", pondera.

Formado em 1993 pelo Art Center College of Design, na Suíça, Guto Índio da Costa já tinha um currículo de respeito mesmo antes de dar forma ao Ventilador de Teto SPIRIT. Depois de trabalhar em grandes escritórios de design da Alemanha, França e Dinamarca, Guto retornou ao Brasil em 1997 e, desde então, desenvolveu projetos consagrados para produtos de diferentes segmentos do mercado, todos reconhecidos pelo bom gosto e pelo design arrojado. Em 2001, convidado pela SPIRIT para assinar o projeto de um novo ventilador de teto, Guto e sua equipe foram buscar inspiração nas hélices do monomotor 'Spirit of Saint Louis', utilizado pelo aviador americano Charles Lindhenberg na pioneira travessia aérea do Atlântico, em 1927. Nascia, então, o Ventilador de Teto SPIRIT 201, que, com apenas duas pás, apresentou um design absolutamente inédito e revolucionário.

As inovações não ficaram restritas ao visual. Feito de policarbonato injetado, mesmo composto das janelas dos aviões e dos escudos da Polícia Militar, o Ventilador SPIRIT, além de totalmente reciclável, é mais resistente e tem uma capacidade de ventilação 30% superior à média dos concorrentes. Melhor desempenho não significa mais consumo: a leveza dos seus materiais e o seu conjunto de iluminação permitem a utilização de lâmpadas eletrônicas que economizam até 80% de energia elétrica. O sucesso foi imediato e continua até hoje. Pouco mais de dois anos após o seu lançamento, o Ventilador de Teto SPIRIT já pode ostentar no seu currículo prêmios como o bicampeonato (2002 e 2004) do IF Design Award, em Hannover, Alemanha, considerado o 'Oscar' do design mundial, o Prêmio Museu da Casa Brasileira, em 2002, o Ecodesign, concedido pela FIESP, o Prêmio Moinho Santista e o Top de Marketing ADVB Rio, todos conquistados em 2003. Uma sequência vitoriosa de lançamentos, que inclui o modelo 202, a linha 300, que, em 2003, surpreendeu novamente com o design das três pás, e o novíssimo 203, o primeiro no mundo com o lustre totalmente embutido, mantém a trajetória sempre ascendente e vitoriosa do Ventilador de Teto SPIRIT, produto que, como poucos, pode ser considerado um verdadeiro ícone do design e do bom gosto.

Fonte:
http://www2.uol.com.br/circuito/cadernos/o_desig_como_solucao_para_novos_produtos.htm
http://www.grafiteltda.com.br/revista2.php?id_materia=81
http://www.arcoweb.com.br/design/design34.asp
http://www.americanas.com.br/cgi-bin/WebObjects/hotsites.woa/wa/ActionSpirit/materia?mat=2817
http://www.ventiladorspirit.com.br/index.asp
acesso em maio de 2004
http://www.ventiladorspirit.com.br/quem_somos.html
acesso em outubro de 2010
Revista Veja-Rio, 19 a 25 abril de 2004, página 10 foto do inventor: Bruno Veiga/Strana
Revista Propriedade e Ética, nov. dez 2008 jan 2009, p. 38
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