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Ao final dos anos 40, o Brasil recebeu uma variedade de equipamento militar dos EUA, nestes equipamentos se incluíam um grande numero de veículos blindados, dentre os quais se incluía o M3 Stuart. Estes veículos prestaram um grande serviço as forças blindadas do país, formando gerações de tanquistas. Entretanto, por volta dos anos 70, estes veículos estavam completamente obsoletos e sofriam uma falta crônica de peças de reposição para quase todos os seus componentes.

Neste mesmo tempo, dois organismos técnicos do exercito, o IME e o CTEX, que tradicionalmente eram os órgãos que cuidavam da investigação, estudo e desenvolvimento do material bélico do exercito, apoiados por uma política de incentivo a criação de uma industria bélica nacional decidiram utilizar estes veículos como ponto de partida para este projeto, ao mesmo tempo em que estendiam a vida útil dos veículos até que fosse possível adquirir modelos mais modernos. Desta decisão nasceu a primeira família e blindados baseados no pequeno Stuart M3, que entre a tropa era conhecido como "PERERECA" (umas pequenas rãs verdes encontradas em pântanos), nome este que aludia a cor verde dos blindados e por ao transitarem em campo, pulavam como estas.

A primeira modificação foi trocar o motor, que no original era um motor de gasolina de alto consumo e não se tinha como repará-lo por falta de peças. Depois se mudou a transmissão e a caixa de cambio, pelas mesmas razoes de manutenção e para compatibilizar a mesma com o novo e mais potente motor.

O ministério do Exercito encarregou a firma BERNARDINI, do estado de São Paulo, esta firma já tinha experiência anterior em repotenciação de outros veículos do Exercito; desta tarefa surgiu um veiculo que se chamaria X1A. Como foi dito anteriormente, o que se fez primeiro foi trocar o motor por um motor Diesel SCANIA DS 11 de 280 HP e uma caixa de cambio junto com uma nova transmissão. Este cambio, levou a um novo desenho da parte superior da carroceria, fundamentalmente para poder abrigar o novo motor, transmissão, novos radiadores e todas as partes acessórias agregadas as modificações.

Toda a parte superior recebeu uma nova blindagem inclinada e mais espessa, mas se mantiveram as escotilhas dianteiras ao estilo do Stuart M3. A parte traseira foi alongada, com os radiadores saindo da parte superior traseira junto com uma nova janela de ventilação. Se mantiveram todo o sistema de rodagem, suspensão, lagartas originais, sendo todo o conjunto revisado e recondicionado. Se trocarem todas as sapatas de borracha das lagartas e o revestimento de borracha das rodas, este trabalho esteve a cargo da firma MOTOPEÇAS.

Estas mudanças levaram como conseqüência à substituição do armamento. Uma nova torre foi desenhada pela firma BISELLI 9 que também já era responsável pela blindagem) para levar um canhão francês DEFA D-921F1 de 90mm (o mesmo que era montado no Panhard 4x4). Colocou-se uma metralhadora .50 (12,7mm) na torre para emprego antiaéreo e uma 7,62 instalada frontalmente. Novos sistemas óticos de pontaria e novos rádios foram instalados completando a modificação, a parte relativa aos sistemas óticos ficou a cargo da firma DF VASCONCELLOS e da parte dos rádios ficou incumbida a firma SITE.

As provas levadas a cabo pelo exercito, no campo de GERICINÓ, a uns 50 km, comprovaram o que já se sabia, que o cambio havia deixado o carro mais pesado, mas não o suficiente para se manter estável ao disparar o novo canhão de 90mm. Este problema levou ao desenvolvimento de outro protótipo, que incorporava as mudanças necessárias identificadas durante os testes, assim surgiu o X1A1.

Tendo em conta de que era necessário transformar o novo veiculo em uma plataforma de tiro mais estável, o que se fez primeiro foi colocar um novo conjunto de suspensão em cada lado do casco e o alargamento do mesmo. Isto obrigou a reprojetar o conjunto completo, posto que na original só havia 2 braços de suspensão volutas, a roda tensora que também atuavam como apoio também foi modificada. As mudanças da nova suspensão, ao final foram o acréscimo de 3 sistemas de suspensão de cada lado , três roletes de retorno e uma nova roda tensora , que deu uma aparência com a suspensão do M4 Sherman.

A torre foi reprojetada, já que a anterior era estreita, permanecendo o canhão francês do X1A . Se colocou o mesmo conjunto motor/transmissão do protótipo anterior , que havia proporcionado uma melhora significativa no desempenho, sobretudo ao que se refere ao consumo e autonomia que passou para 600KM. Todas estas mudanças , foram acompanhadas de estudos visando a produção seriada de um modelo confiável e que atenderia as necessidades do exercito . A firma Bernardini foi confirmada como a principal responsável pela produção , e também se decidiu incorporar de uma só vez , todas as mudanças identificadas e testadas . assim nasceu o modelo X1A2.

Neste modelo ,o casco sofreu um completo redesenho com vistas a produção em série , na realidade um novo casco , ao empregar uma placa frontal que passou a ser uma só peça , com uma inclinação mais acentuada proporcionando maior proteção balística . Com isto se eliminaram as duas portas dianteiras ao estilo do Stuart M3 do modelo anterior . Em seu lugar se colocou uma escotilha única para o motorista no lado esquerdo , que abria se elevando e girando-a para esquerda . Em combate quando se tinha de mante-la fechada , o motorista disponha de 3 periscópios dispostos em ângulo e também podia dispor de um periscópio de visão noturna instalado na posição central.

Outra mudança importante, foi no armamento principal . O canhão anterior o francês DEFA D921F1 de 90mm, de baixa pressão , foi substituído por um mais potente , o COCKERILL belga de 90mm, feito no Brasil pela ENGESA, que havia comprado o direito de fabricação e que colocava este canhão em seu veiculo CASCAVEL , isto trazia a vantagem de se usar um único tipo de canhão nos principais veículos do exercito, simplificando a administração de munições e manutenção , entre outras coisas. Este modelo final tinha 20 toneladas e uma autonomia aumentada para 700Km e uma velocidade de 60 Km e uma tripulação de 3 homens , motorista artilheiro e comandante. Depois de completar todas as provas , conduzidas pelo CTEX em Gericinó, o exercito passou a receber os novos veículos incorporados aso regimentos de carros de combate .

Esta série de veículos fez parte de uma "Época de Ouro" da industria de veículos militares do Brasil, e também contribuiu para que se acumulasse conhecimento tecnológico para projetos que se seguiram, culminaram com o desenvolvimento de um MBT (Main Battle Tank) no país. De todas as versões somente o X1A2 permaneceu em serviço das unidades de carros de combate, os RCC (Regimento de Carros de Combate), até bem pouco tempo. Todos os protótipos estão sendo reunidos no recém criado Museu de Blindados Conde de Linhares, no Rio de Janeiro.

Fonte: http://sites.uol.com.br/naumann/cascavel.htm
http://www.carrodostuart.hpg.com.br/
acesso em março de 2002
http://www.panzermodel.com/Artigos/VALLS%20-%20PROJETOS%20BRASILEIROS%20-%20I%20PARTE.pdf
Agradeço a Jose Antonio Valls (javalls2007@yahoo.com.br) pela envio deste texto e fotos para composição desta página
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