As expectativas de crescimento para o franchising em 2008 estão otimistas, sendo apontada possível expansão de 11%. Consultores não esperam surpresas e afirmam serem setores tradicionais, como o de alimentação e de beleza e saúde, os mais promissores. A novidade fica por conta dos negócios que se relacionam ao mercado de construção civil, cujo aquecimento leva a reboque empresas de serviços e produtos para obras e decoração.
Um agente favorável apontado por Claudia Bittencourt, diretora geral da Bittencourt Inteligência em Redes de Negócios, foi o aumento da capacidade de investimento do médio e pequeno empreendedor na virada do ano de 2006 para 2007. "A economia melhorou, as empresas aumentaram as contratações e mais recursos passaram a circular no País, o que motiva jovens empreendedores a arriscarem suas economias em negócios próprios", analisa.
Tanto a consultora, quanto Danilo Andreoli, da Dub-Net, destacam a mudança do perfil das cidades, que cada vez absorvem mais serviços e não apenas produtos, o que intensificaria o surgimento de novas redes de franquia no segmento. Ao mesmo tempo, André Friedheim, diretor da Francap, ressalta a adesão de grandes indústrias ao franchising, como acontece com AmBev, Nestlé e Parmalat. "Essas corporações estão montando novos modelos de negócio no varejo para testar produtos, valorizar a marca e interagir com o consumidor", afirma o consultor.
Andreoli afirma que o aumento de disponibilidade financeira direcionada ao segmento vem favorecendo o surgimento de novas redes e unidades de franquia. As taxas cada vez mais atrativas das linhas de crédito de instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste demonstram o interesse de investimento no franchising. "Os bancos públicos já vêem o setor como fonte de baixo risco no mercado para a oferta de capital", complementa Andreoli.
Ana Vecchi, da Vecchi & Ancona, apresenta ainda como tendência de todo o segmento, independentemente do porte ou do ramo de atuação, a busca por modelos de gestão sustentáveis. Em sua opinião, será premissa básica de qualidade e diferencial nesse primeiro momento. "Não se trata de modismo, nem de uma onda de
marketing, e requer investimentos e mudança de cultura", avalia a consultora.
O setor de alimentação é, em número de redes, o maior do franchising brasileiro, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), mas está longe de atingir a estagnação. Dessa vez, são a expansão dos shoppings e a construção de centros comerciais os motivadores do aquecimento. O destaque fica por conta das redes de fast-food, que predominam nas praças de alimentação. "Poucas são as chances de se conseguir bom espaço nessas áreas dos shoppings se o modelo adotado não for o de franquias", afirma Andreoli.
Romano Fressato Neto, gerente de expansão da Spedini Trattoria Expressa, destaca a dificuldade de se conseguir novos pontos, o que limitou a expansão da rede de restaurantes este ano. Mesmo assim, a empresa especializada em comida italiana conseguiu dobrar o número de unidades em 2007 e programa, para o ano que vem, o lançamento de mais quatro restaurantes. "Começamos o ano com nove e hoje estamos com 16 unidades, em cinco estados brasileiros", comemora Fressato.
Todos os restaurantes, com exceção da unidade piloto, estão localizadas em shoppings. Por isso o gerente vê com bons olhos o aumento no número de empreendimentos do tipo sendo reformados e construídos nas cidades. Por outro lado, a primeira franqueada do Rio de Janeiro, Luciana Franco, queixa-se do excesso de obras pelo qual vem passando o Barra Shopping. "O fluxo de pessoas caiu bastante", afirma.
Outro motivo apresentado pela consultora Ana Vecchi, da Vecchi & Ancona, para as boas expectativas de crescimento no setor de alimentação é a demanda gerada em função das necessidades de consumo fora do lar. Eguiberto Rissi, diretor da Uno&Due, rede de padaria express, concorda. A empresa oferece serviços de padaria, cafeteria, lanchonete e ainda serve grelhados e outros pratos. "Investimos também no delivery e criamos opções para o mercado corporativo, com a oferta de opções de coffee break para reuniões e eventos", afirma.
SERVIÇO
Spedini, www.spedini.com.br
Uno&Due, www.unoedue.com.br
Vecchi & Ancona, 0xx-11-3841-9676
Spedini Trattoria Expressa
Negócio: fast-food de comida italiana
Investimento inicial: de R$ 240 mil a R$ 500 mil
Taxa de franquia: de R$ 40 mil a R$ 55 mil
Taxa de royalties: 5%
Taxa de publicidade: 2%
Faturamento médio mensal: R$ 75 mil
Margem de lucro: entre 15% e 18%
Número de funcionários: a partir de 13
Área: de 30 metros quadrados a 200 metros quadrados
Risco: médio, devido à tendência do crescimento dos shoppings e o aumento do fluxo de pessoas indo aos malls. O ponto fraco é que a rede é pouco conhecida no Rio e tem marcas reconhecidas como concorrentes diretas.
Uno&Due
Negócio: padaria expressa
Investimento inicial: de R$ 230 mil a R$ 250 mil
Taxa de franquia: R$ 50 mil
Taxa de royalties: 4%
Taxa de publicidade: 1%
Faturamento médio mensal: R$ 70 mil
Margem de lucro: entre 15% e 20%
Número de funcionários: entre 12 e 14
Área: entre 40 metros quadrados e 110 metros quadrados
Risco: baixo, devido ao mix variado de produtos.
O setor de beleza e saúde vem registrando crescimento significativo há pelo menos quatro anos, em função da estabilização da economia e do aumento do poder de compra da população. Marcelo Sarpe, diretor de expansão da Antídoto Cosméticos, comemora os resultados do setor. Nos primeiros oito meses de 2007, pesquisa do IBGE apontou crescimento de 3,5% no consumo de produtos de higiene e beleza. O mercado brasileiro já ultrapassou o francês em consumo.
"Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), em 1996 o faturamento líquido do setor é de R$ 4,9 bilhões e, em 2006, foi de R$ 17,5 bilhões. Hoje o consumidor de baixa renda está com mais dinheiro no bolso e, por menor que seja a sua renda, não deixa de comprar produtos de higiene e de beleza", afirma Sarpe. A expectativa para 2008 é de crescimento na rede de 30%, em todo o Brasil. Estão em funcionamento 122 lojas da Antídoto Cosméticos.
Outra empresa que comemora os bons resultados é a Pello Menos,
instituto de depilação que nasceu no Rio de Janeiro e já está em expansão para São Paulo. Propostas vindas do exterior possibilitam inauguração em outros países em breve. "Ainda estamos estudando a viabilidade dos locais, mas é possível que um instituto seja aberto nos Estados Unidos. Não queremos fazer grandes adaptações, pois o maior valor da rede é a padronização garantida de seus serviços", afirma Regina Jordão, proprietária da Pello Menos.
A expectativa é de que até o final de 2008, 15 novas lojas sejam abertas. Para essa nova expansão, a marca vem sendo reestruturada. A partir de agora o franqueado receberá a loja pronta. Ficará a cargo da franqueadora a escolha do ponto e dos funcionários, assim como as obras para construção do instituto.
Zélia Migliora dos Santos, franqueada do Centro do Rio de Janeiro, possui sua unidade há quatro anos e destaca a especialização da empresa como seu grande diferencial. "É preciso focar o entorno da unidade nesse tipo de negócio, pois as pessoas não costumam se deslocar muito para buscar o serviço de depilação. A prospecção deve ser constante", recomenda.
Para a divulgação, Zélia contou com o sistema de panfletagem combinada com entrega de cortesia adotada pela empresa. Ela aprova o método, pois ele incentiva a entrada daquele que ainda não conhece o instituto. Não está em seus planos a abertura de novas unidades, já que considera complicado administrar mais de um negócio simultaneamente.
SERVIÇO
Antídoto Cosméticos,
www.antidotocosmeticos.com.br
Bittencourt, 0xx-11-3661-2201
Pello Menos,
www.pellomenos.com.br
Antídoto Cosméticos
Negócio: venda de cosméticos
Investimento inicial: de R$ 38,2 mil a R$ 56,2 mil (fora o ponto)
Taxa de franquia: não cobra
Taxa de royalties: não cobra
Taxa de publicidade: não cobra
Faturamento médio mensal: R$ 29 mil
Margem de lucro: de 20% a 30%
Número de funcionários: de 2 a 4
Área: de 5 metros quadrados a 40 metros quadrados
Risco: baixo, devido ao investimento inicial e à margem boa de retorno. Além disso, o setor de cosméticos está em franca expansão. Dada a estabilização da economia, o poder de compra cresceu e os consumidores buscam bens não essenciais. Os quiosques também são modelos de fácil administração.
Pello Menos
Negócio: instituto de depilação
Investimento inicial: de R$ 200 mil a 250 mil (fora o ponto)
Taxa de franquia: R$ 50 mil
Taxa de royalties: entre 12% e 15%
Taxa de publicidade: 3%
Faturamento médio da rede: mínimo de R$ 45 mil
Margem de lucro: de 25% a 30%
Número de funcionários: a partir de 8
Área: mínimo de 120 metros quadrados
Risco: baixo. O tipo de serviço é muito demandado e tem se popularizado.
A expansão de negócios relacionados à construção civil foi o mais destacado pelos consultores. Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), o setor deverá fechar o ano com crescimento de 7,9%, que abarcou toda cadeia produtiva, com aumento na mão-de-obra e geração de empregos no segmento imobiliário, venda e aluguel de equipamentos e também nos investimentos estrangeiros.
Altino Cristofoletti Junior, diretor da rede de franquias Casa do Construtor, empresa que aluga equipamentos e máquinas para o setor, afirma ter sentido efeitos desde o início do ano. "Os indicadores mostram crescimento promissor. Vínhamos registrando aumento no faturamento na ordem de 35% e, neste ano, chegaremos a 47%. Também estamos recebendo número maior de propostas de interessados pela franquia", revela.
A Multicoisas, rede especializada em produtos para reparos domésticos e bricolagem, começa a sentir os efeitos do aquecimento do mercado de
construção civil. Luis Henrique Stockler, diretor de marketing e expansão da rede explica que somente agora as pessoas estão entrando nas casas e, por isso, demandando os produtos da empresa. "Bairros vêm sendo verticalizados, como a região de Campinas, onde são construídos centros comerciais dentro de condomínios", diz.
Alex Roussenq garante que não somente os bairros em processo de verticalização ganham com o momento próspero. Sua franquia está localizada em Copacabana, no Rio de Janeiro, bairro que não abriga novas
construções. No entanto, a melhoria da economia e do crédito consignado está levaria mais pessoas a reformar suas casas. "O diferencial da Multicoisas é o treinamento de seus funcionários, o que garante um atendimento diferenciado em relação à concorrência, que não é pouca", afirma.
SERVIÇO
Casa do Construtor,
www.casadoconstrutor.com.br
Dub-Net, 0xx-11-2276-0048
Francap, 0xx-11-3709-3709
Francisco Barone, baronefgv.br
Multicoisas, www.multicoisas.com.br
Fonte: empresas e Francisco Barone, consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ) (risco)
Casa do Construtor
Negócio: locação de equipamentos para a construção civil
Investimento inicial - R$ 400 mil
Taxa de franquia: de R$ 20 mil a R$ 35 mil
Taxa de royalties: 8%
Taxa de publicidade: 2%
Faturamento médio mensal: de R$ 40 mil a R$ 50 mil
Margem de lucro: 50%
Número de funcionários: a partir de 4
Área: 200 metros quadrados Risco: médio, devido ao elevado investimento inicial. Em termos de médio e longo prazo há risco, pois vai depender do resultado da economia.
Multicoisas
Negócio: venda de produtos domésticos e de escritório
Investimento inicial: de R$ 430 mil a R$500 mil
Taxa de franquia: R$ 40 mil
Taxa de royalties: 5%
Taxa de publicidade: 1%
Faturamento médio mensal: R$ 110 mil
Margem de lucro: 10 %
Área: de 80 metros quadrados a 120 metros quadrados
Número de funcionários: a partir de 9
Risco: médio, a proposta interessante, mas a competição é acirrada. Tem que concorrer com o preço.