Planeta tem seu primeiro ano de lucro e reforça planos para o Brasil
Valor Economico, 10/04/2008
A espanhola Planeta é sempre alvo de rumores no mercado editorial - mesmo que contraditórios. Nas últimas semanas, por exemplo, ouvia-se duas versões sobre os futuros passos da empresa no Brasil. A editora poderia sair do país, por não ter atingido as metas estabelecidas pela matriz, ou estaria comprando uma editora brasileira de grande porte. "Não há nada. Nenhuma das duas coisas", afirma, de forma enfática, o argentino César González de Kehrig, diretor geral da Planeta do Brasil. "Estamos dentro do plano inicial estabelecido pelo grupo para o mercado brasileiro. O ano de 2006 foi o primeiro em que fechamos empatados e em 2007, pela primeira vez, lucramos", diz, sem revelar valores.
| Segundo o executivo, a Planeta pretende fortalecer a operação verde-amarela - cuja maior dificuldade inicial foi a própria língua, já que a editora decidiu começar do zero no Brasil, em 2003. "É um mercado difícil. As tiragens médias dos livros giram em torno de 3 mil exemplares. Ao mesmo tempo, no entanto, os best-sellers vendem como no primeiro mundo." |
| Os planos da editora para esse ano passam pelo fortalecimento do selo Academia de Inteligência - editora de pequeno porte que foi adquirida pela Planeta no final de 2006 -, responsável pelos lançamentos dos segmentos de auto-ajuda e espiritualidade. O selo ganhará um nova roupagem e um esforço comercial extra para emplacar nas livrarias. |
| No ano passado, a editora lançou cerca de 80 títulos, quantidade que planeja manter em 2008. "Vimos livros que tinham tudo para dar certo e vender bem, mas que ficaram no gargalo da livraria", diz. "A decisão de mantermos o mesmo número de lançamentos nos possibilita trabalhar melhor o catálogo. A livraria não absorve tudo." |
| Para 2009, a Planeta estuda lançar um selo de bolso - um segmento cada vez mais explorado pelo mercado. Para este ano, a surpresa fica por conta do selo Essência, projeto lançado há um ano na Espanha que foi adaptado à realidade brasileira. Destinado a diversos estilos femininos, o Essência chega às livrarias em junho. "Lançaremos títulos para vários segmentos de públicos, desde os tradicionais romances açucarados até os 'chick lit', que são um gênero mais moderno e cosmopolita", diz Débora Guterman, editora responsável pelo selo Essência. "No primeiro momento, faremos traduções, enquanto procuro escritoras brasileiras para esse tipo de obra." |
| Fundada em 1949 em Barcelona, atualmente a Planeta é a maior editora na Espanha de títulos de ficção e não-ficção. Sua principal concorrente é a conterrânea Santillana que também tem negócios no Brasil, como a editora de livros didáticos Moderna e uma participação na Objetiva. |
| Ambas, no entanto, tem algo em comum: a agressividade com que entram em novos mercados. Desde que abriu seu escritório em São Paulo, em 2003, a Planeta comprou a editora Academia da Inteligência, além de passes de escritores famosos como Paulo Coelho e Fernando Moraes. O mercado acredita que há a possibilidade de a Planeta adquirir novas empresas. Kehrig não descarta a possibilidade. "Estamos sempre observando boas oportunidades", diz. |
Publicada em: 10/04/2008
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