Madeira,
capim e resíduos agroindustriais estão na mira
da produção de energia
O
I Seminário de Madeira Energética reúne,
no Rio de Janeiro, pesquisadores e empresas públicas
e privadas para discutir o uso eficiente dos recursos vegetais
para fins energéticos. No dia 2 de setembro, um dos
blocos debateu as variáveis para florestas energéticas,
capim elefante e resíduos agroindustriais. O evento
é organizado pelo Instituto
Nacional de Eficiência Energética
(INEE)
e conta com o apoio da Embrapa,
Ibama,
Iniciativa
Carvão Verde, Serviço
Florestal Brasileiro e Ministério
do Meio Ambiente e Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Para
uso energético, as florestas plantadas conjugam fatores
positivos como grande extensão territorial, oportunidade
para incorporação de áreas degradadas
(que já somam 130 milhões de hectares), disponibilidade
de espécies florestais adaptadas para quase todas as
regiões e conhecimento científico e tecnológico
na área de silvicultura.
No
entanto, existem gargalos como a produção de
sementes florestais de qualidade. “O Brasil não
tem produção suficiente para dobrar a área
plantada que hoje está em 5 milhões de hectares”,
pontuou Helton Damin Silva, chefe da Embrapa
Florestas (Colombo-PR), unidade que lidera o
projeto Florestas Energéticas com a participação
da Embrapa
Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro-RJ)
e Embrapa
Meio Ambiente (Jaguariúna-SP).
De
acordo com Damin, o mercado de madeira está aquecido.
Dos 350 milhões de metros³ demandados por ano,
apenas 90 milhões de metros³ são oriundos
de florestas plantadas. A diferença é suprida
pela mata nativa de forma legal ou não.
“Cerca
de 30% de todo o eucalipto plantado no Brasil está
em Minas Gerais para atender basicamente a indústria
siderúrgica. É o Estado mais interessado na
questão”, afirma Damin. Não por menos,
é o Estado que irá hospedar, em junho de 2009,
o I Congresso de Florestas Energéticas.
Outra
forma de obter energia é o aproveitamento de resíduos
agroindustriais. Dados apresentados por Pietro Erber, diretor
do INEE, mostram que há potencial para uso de até
9,1 milhões de ton/ano de biomassa vinda do bagaço
de cana, casca de arroz, fibras residuais de coco, milho,
sorgo, café, algodão e fumo, além de
restos de madeira e podas de árvores. O volume seria
suficiente para gerar 174 mil empregos, mas ainda faltam tecnologias
mais eficientes para o processamento dessas matérias-primas.
O
capim elefante, tema levado pela Embrapa
Agrobiologia (Seropédica-RJ) e IPT, chama
atenção pelo crescimento rápido e pela
produtividade de até 30 toneladas de massa seca/ha/ano.
Pesquisas com melhoramento genético poderiam abreviar
os ciclos de colheita.
Os
debates continuaram no dia 3: dimensão social e ambiental
do carvão vegetal, gaseificação de biomassa,
combustíveis sintéticos, bio refinarias e produtos
não energéticos na cadeia da madeira. O Seminário
é patrocinado pelo BNDES
e Companhia
Vale do Rio Doce.
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