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Edição nº25 - Agosto de 2008
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Madeira, capim e resíduos agroindustriais estão na mira da produção de energia

O I Seminário de Madeira Energética reúne, no Rio de Janeiro, pesquisadores e empresas públicas e privadas para discutir o uso eficiente dos recursos vegetais para fins energéticos. No dia 2 de setembro, um dos blocos debateu as variáveis para florestas energéticas, capim elefante e resíduos agroindustriais. O evento é organizado pelo Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) e conta com o apoio da Embrapa, Ibama, Iniciativa Carvão Verde, Serviço Florestal Brasileiro e Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Para uso energético, as florestas plantadas conjugam fatores positivos como grande extensão territorial, oportunidade para incorporação de áreas degradadas (que já somam 130 milhões de hectares), disponibilidade de espécies florestais adaptadas para quase todas as regiões e conhecimento científico e tecnológico na área de silvicultura.

No entanto, existem gargalos como a produção de sementes florestais de qualidade. “O Brasil não tem produção suficiente para dobrar a área plantada que hoje está em 5 milhões de hectares”, pontuou Helton Damin Silva, chefe da Embrapa Florestas (Colombo-PR), unidade que lidera o projeto Florestas Energéticas com a participação da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro-RJ) e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP).

De acordo com Damin, o mercado de madeira está aquecido. Dos 350 milhões de metros³ demandados por ano, apenas 90 milhões de metros³ são oriundos de florestas plantadas. A diferença é suprida pela mata nativa de forma legal ou não.

“Cerca de 30% de todo o eucalipto plantado no Brasil está em Minas Gerais para atender basicamente a indústria siderúrgica. É o Estado mais interessado na questão”, afirma Damin. Não por menos, é o Estado que irá hospedar, em junho de 2009, o I Congresso de Florestas Energéticas.

Outra forma de obter energia é o aproveitamento de resíduos agroindustriais. Dados apresentados por Pietro Erber, diretor do INEE, mostram que há potencial para uso de até 9,1 milhões de ton/ano de biomassa vinda do bagaço de cana, casca de arroz, fibras residuais de coco, milho, sorgo, café, algodão e fumo, além de restos de madeira e podas de árvores. O volume seria suficiente para gerar 174 mil empregos, mas ainda faltam tecnologias mais eficientes para o processamento dessas matérias-primas.

O capim elefante, tema levado pela Embrapa Agrobiologia (Seropédica-RJ) e IPT, chama atenção pelo crescimento rápido e pela produtividade de até 30 toneladas de massa seca/ha/ano. Pesquisas com melhoramento genético poderiam abreviar os ciclos de colheita.

Os debates continuaram no dia 3: dimensão social e ambiental do carvão vegetal, gaseificação de biomassa, combustíveis sintéticos, bio refinarias e produtos não energéticos na cadeia da madeira. O Seminário é patrocinado pelo BNDES e Companhia Vale do Rio Doce.


 
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