Título
Diferenças no teor de glúten de farinhas utilizadas
em panificação
Resumo
Informações sobre os diferentes teores de glúten
de farinhas utilizadas em panificação
Palavras-chave
Alimento; farinha; farinha de trigo; glúten; massa
alimentícia; panificação; pão
Assunto
Fabricação de produtos de panificação
Demanda
Quais as diferenças no teor de glúten de farinhas
utilizadas em panificação?
Solução
apresentada
Introdução
As características desejadas do pão, da massa,
ou do biscoito são determinadas pela presença
do glúten do trigo na composição dos
alimentos. O glúten é formado quando a farinha
de trigo é misturada com água e determina as
características de tenacidade ou resistência
à extensão (propriedade da elasticidade) e de
extensibilidade da massa formada. O glúten nada mais
é que uma rede elástica e contínua que
retém o gás carbônico liberado durante
o processo de fermentação da massa pelas leveduras
(fermento), permitindo sua
expansão (TORRES, 2008).
Proteínas de reserva do glúten
Segundo Torres, (2008) têm-se as seguintes informações
a respeito das proteínas de reserva do glúten:
Os principais componentes das proteínas formadoras
de glúten são as chamadas proteínas de
reserva. Estas proteínas são assim denominadas
por serem a reserva de nutrientes que o embrião da
nova planta a ser gerada utilizará durante o processo
de germinação e de crescimento inicial. Elas
são formadas durante o desenvolvimento da planta e
acumulam-se nos grãos. As proteínas de reserva
correspondem a cerca de 5 a 8% do peso seco de grãos
de cereais. Variações na quantidade e na composição
das proteínas de reserva podem resultar, por exemplo,
em alimentos mais nutritivos (com um maior aporte de determinados
aminoácidos), ou mesmo em produtos com menor teor de
glúten.
As proteínas de reserva do trigo, gluteninas e gliadinas,
possuem composição e estrutura distintas e são
classificadas em função da sua massa molecular
(característica que reflete o tamanho da proteína)
e da sua capacidade de agregação (capacidade
de formar grupos). Emprega-se, geralmente, o termo qualidade
tecnológica de trigo para indicar a performance de
determinada cultivar de trigo para determinado produto final.
O valor do parâmetro força do glúten (
W ), juntamente com uma série de outras características
da farinha de trigo, refletirá um uso final específico,
ou seja, determinará se a farinha obtida a partir de
uma cultivar de trigo servirá à fabricação
de pães, massas ou biscoitos.
Os
genes que codificam a síntese das diferentes classes
e unidades de proteínas de reserva são bem conhecidos.
Sabe-se, inclusive, que existe uma forte correlação
entre a presença de gluteninas e a qualidade da farinha
do trigo para panificação. Atualmente, mesmo
com o desenvolvimento de técnicas mais modernas, e
do amplo uso de marcadores moleculares, a análise de
proteínas de reserva em trigo é ainda empregada
como instrumento para a verificação da identidade
de uma cultivar e para a análise da integridade genética
do material. Assim, em função da quantidade
e da composição em proteínas de reserva,
grão que nasce trigo pode vir a ser pão, biscoito
ou macarrão.
No Brasil, a força do glúten juntamente com
os valores de número de queda (relacionado a atividade
da enzima alfa-amilase que hidrolisa o amido), são
usados como critério para a classificação
comercial do trigo como Trigo Melhorador, Trigo Pão,
Trigo Brando e Trigo para outros usos.
Diferentes teores de glúten utilizados na elaboração
de produtos de panificação
De acordo com Ferreira (2004) é tecnicamente possível
a mistura de fécula de mandioca à farinha de
trigo, até certa porcentagem, em função
do tipo de pão ou massa. As variações
são necessárias devido às características
da farinha de trigo e do tipo de processo.
Para se obter um pão francês dentro dos padrões
a massa deve ter uma porcentagem de glúten úmido
acima de 28%, e de glúten seco acima de 9%, além
de ter uma força (W) de 220 a 280 (refere-se à
força da massa), de acordo com a análise de
alveografia (análise que se faz da massa para se determinar
sua resistência). Já para biscoitos a porcentagem
de glúten na farinha de trigo deve ser de 26% a 29%
para glúten úmido, e, de 8% a 10% para glúten
seco, e a força (W) deve ser de 150 a 200 (FERREIRA,
2004).
Quando se mistura a fécula de mandioca ou qualquer
outra farinha à farinha de trigo, na realidade, está
se adicionando amido (fécula), e, dessa forma, se diminuindo
a percentagem de glúten. Conseqüentemente, está
se diminuindo sua força. Em indústrias de biscoitos
foi observado que deve ter uma melhor porcentagem e menor
força do glúten, a adição da fécula
de mandioca à farinha contribui para melhorar o processo
e a qualidade dos biscoitos (FERREIRA, 2004).
Para a indústria de massas as características
dos tipos de farinha de trigo são outras. Para massas
a porcentagem de glúten úmido deve ser acima
de 29% e de glúten seco acima de 9,5%, e a força
(W) deve ser acima de 300. Neste caso específico a
necessidade de uma massa forte é devido, principalmente,
ao processo de secagem, em que a massa é estendida.
Se a massa não tiver força de glúten,
ficará estendida, dando formatos não uniformes
à massa final. Neste caso, para se ter um resultado
bom para a mistura de fécula, recomenda-se utilizar
uma farinha com teor e força de glúten elevado,
podendo-se chegar a uma mistura de até 20% (FERREIRA,
2004).
As características necessárias à farinha
de trigo para massas de bolos são mais flexíveis,
podendo-se trabalhar com teores de glúten na faixa
de 22% a 25% (úmido), e de 7% a 8,5% (seco) e uma força
(W) abaixo de 100. Dessa forma não se vê problemas
no tocante a misturas de fécula de mandioca ou outro
tipo de farinha (FERREIRA, 2004).
Conclusões e recomendações
Sugere-se a leitura das fontes consultadas e a orientação
de um profissional especializado na sua área de interesse.
Para iniciar a fabricação de alimentos é
imprescindível que a empresa esteja ciente das normas
estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) e que tenha implementado as Boas
Práticas de Fabricação BPF, que abrangem
um conjunto de medidas que devem ser adotadas pelas indústrias
de alimentos a fim de garantir a qualidade sanitária
e a conformidade dos produtos alimentícios com os regulamentos
técnicos. Para obter informações a respeito
das normas estabelecidas pela ANVISA sugere-se acessar o site
disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/alimentos/index.htm>.
Acesso em: 04 jul. 2008.
Fontes
consultadas
ANVISA. [2003]. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/>.
Acesso em: 04 jul. 2008.
FERREIRA,
D. T. L. Pesquisa com a mistura da fécula de mandioca.
Rev. Associação Brasileira dos Produtores de
Amido de Mandioca. Ano II; n.7, junho/agosto, [2004]. Disponível
em:
<http://www.abam.com.br/revista/revista7/pesq_mistura_fec.php>.
Acesso em: 04 jul. 2008.
TORRES,
G. A. M. Proteínas de reserva do trigo: o pão
ou o biscoito nosso de cada dia. [2008]. Disponível
em:
<http://www.agrolink.com.br/cereaisdeinverno/NoticiaDetalhe.aspx?
codNoticia=62613>. Acesso em: 04 jun. 2008.
Elaborado
por
Cátia Maria de Oliveira
Nome da Instituição respondente
REDETEC Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro
Data de finalização
04 jul. 2008
|